O governador Renan Filho vem dizendo há muito tempo que os postos de trabalho a serem abertos com a inauguração dos novos hospitais (6) não serão preenchidos através de concurso público, apesar dos protestos da população, inclusive de nós que fazemos o Sinmed. Pois bem, essa semana foi a vez de o Hospital Ib Gatto, de Rio Largo, entrar nessa ‘onda’. Hoje o grande negócio – sem dúvida – é abrir uma OS, afinal, elas complementam a carência de atendimento do Sistema Único de Saúde. No Ib serão absorvidos 81 trabalhadores, todos passarão por processo seletivo simplificado e terão que constituir CNPJ como condição para ingresso no serviço, sem estabilidade e uma série de outros direitos.
O pessoal efetivo da casa já solicitou ao Ministério Público medidas protetivas para garantia de direitos, mas o clima é tenso (são 50 profissionais). O Sinmed reitera posição contrária à terceirização dos serviços de saúde por entender, entre outras coisas, que o custo benefício não é compensador. De modo geral, os processos de terceirização representam uma ‘brecha’ para fomentar a corrupção, já que a transparência nos critérios de seleção da empresa gestora deixa a desejar.
É de praxe as OS(s) repetirem erros do gestor público, como o da sobrecarga de trabalho, a baixa remuneração, o limite de acesso a exames de diagnóstico em nome da economicidade, a contenção exagerada de medicamentos e insumos, e o pior: com o passar de alguns meses costumam atrasar a folha de pagamento. Cometem um abuso atrás do outro, acreditando na impunidade, já que os mecanismos de fiscalização são falhos, e a justiça, lenta.
Em Maceió quem também aderiu essa semana a terceirização foi o Iprev, que lamentavelmente anunciou a contratação de pessoa jurídica destinada a organizar Processo Seletivo Simplificado para preenchimento de 14 vagas, sendo oito para médicos peritos. Os salários chegam, no máximo a R$ 4.584,01. Parece brincadeira – ou melhor, provocação.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed)



