Protesto e morte no Huoc

Protestos de médicos residentes e alunos das faculdades de saúde da Universidade Pernambuco (UPE) nas ruas, manifesto entregue ao Ministério Público Estadual por 24 coordenadores médicos e a morte de uma paciente com câncer na porta do Centro de Oncologia deram maior visibilidade, ontem, ao caos instalado no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife, onde quase 30% das enfermarias foram fechadas por falta de mais de 500 profissionais e decadência da estrutura física.

O principal hospital da UPE, com 130 anos, que entrou para a história da medicina ao salvar da morte um jovem vítima de raiva e é referência em doenças graves, fechou 112 dos seus 407 leitos, suspendendo parte das cirurgias, internamentos e outros procedimentos essenciais.

 

Os estudantes e médicos residentes programaram protesto para as 10h, em frente à reitoria, em Santo Amaro. Mas o secretário de Ciência e Tecnologia, Marcelino Granja, ao qual a UPE e o Huoc são subordinados, convocou uma coletiva de imprensa para as 9h, no seu gabinete, no Centro do Recife, junto à Torre Malakoff. Os manifestantes não perderam o entusiasmo e se deslocaram até a secretaria. Ocuparam parte da Avenida Alfredo Lisboa e a rua local, usaram uma tarja preta no braço e entregaram uma carta à população. Posteriormente tomaram o auditório da secretaria, pedindo a salvação do hospital responsável pela formação de 1.500 alunos da UPE.

 

Nem mesmo as promessas do secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Marcelino Granja, e a tentativa de atribuir a crise à administração do hospital e a uma medida isolada do diretor do Huoc, Raílton Bezerra (“que estaria insatisfeito com o novo modelo de gestão aprovado”), acalmaram as críticas e protestos. Na coletiva, Granja anunciou concurso, seleção simplificada e uma solicitação ao Tribunal de Contas do Estado para voltar a praticar esquema de plantões extras, para retomar parte das atividades paralisadas, além da busca de recursos para obras.

 

“Marcelino, vista a camisa da UPE. Não queremos paliativos e não concordamos que continuem existindo duas categorias de hospitais: os financiados e os subfinanciados. O Huoc recebe um terço do que o governo estadual investe no Hospital Miguel Arraes (de médio porte), administrado por organização social (Imip)”, enfatizou Artur Brito, do Diretório Acadêmico de Medicina. “O governo paga R$ 140 por cada aluno do ensino fundamental e repassa à UPE R$ 78 por cada universitário. Ao mesmo tempo paga ao Imip um valor muito maior para que a unidade receba alunos de medicina em formação”, completou Pedro Ivo Padilha, outro estudante.

Os acadêmicos de medicina exigiram um documento do secretário com todas as ações anunciadas. Haverá audiência com o secretário e novo manifesto. “Estamos insatisfeitos. Ainda não vimos ação concreta para colocar o hospital em funcionamento e resolver seu histórico problema financeiro”, completou Elton Pedrosa, presidente do DA de Medicina.

 

“O hospital tem que funcionar agora, não pode ficar esperando por ação demorada e paliativa. Os doentes precisam de assistência e os estudantes de formação”, completa Gustavo Trindade, coordenador da UTI de Doenças Infecciosas. Ele e outros 23 colegas, que chefiam as clínicas do Huoc, entregaram na tarde de ontem ao Ministério Público Estadual e ao Conselho Regional de Medicina uma lista dos problemas históricos que enfrentam na casa e que independem de modelo de gestão. Desde 2004 não é feito concurso para o hospital e não há recurso estadual para pagar a manutenção das instalações, que acaba sendo bancada pelo SUS e pelo Ministério da Educação.

Fonte: Jornal do Commercio

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