A um dia do momento nacional de sensibilização para vacinação contra a gripe, Pernambuco entrou oficialmente nas estatísticas de mortes por influenza H1N1, em 2016, no Brasil. O estado confirmou ontem quatro óbitos pela doença, todos registrados entre março e abril, no Recife. Outros sete casos de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG – casos com agravamento que precisam de internação) seguem em investigação. Em todo o Brasil, são mais de 230 óbitos neste ano pela gripe que causou pandemia em 2009.
Pernambuco até então tinha apenas um caso associado de morte pela doença, mas que na verdade era de uma criança nascida no estado, mas internada em São Paulo desde o primeiro mês de vida para tratamento de uma comorbidade. Por isso, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) considera essas quatro confirmações como as primeiras e pediu uma correção do boletim ao Ministério da Saúde.
As mortes, até então, não seguem um padrão em Pernambuco. A primeira delas foi de um homem de 50 anos, que adoeceu em fevereiro e faleceu em março. Ele foi notificado em um hospital particular da cidade, tinha histórico de diabetes e tabagismo e morava no bairro de Boa Viagem. Outro caso é de um homem de 55 anos, residente no mesmo bairro, que teve os sintomas de fevereiro e faleceu também em março, em um hospital da rede privada. Não há informações sobre alguma doença de base associada.
O terceiro caso é de uma adolescente de 16 anos, do sexo feminino, que iniciou os sintomas em fevereiro e morreu neste mês, no Hospital das Clínicas. Ela não tinha nenhuma doença de base e morava no bairro da Cohab. O último registro é de uma mulher de 41 anos, que ficou doente em março e morreu neste mês, em um hospital particular. A mulher morava no bairro de Campo Grande.
Apesar de três dos quatro óbitos serem de moradores da Zona Sul do Recife, a secretária-executiva de Vigilância à Saúde, Cristiane Penaforte, esclareceu que não há uma correlação entre as infecções e os locais de moradia. “É um vírus transmitido por secreções das vias respiratórias”, afirmou. A cidade tem até então nove casos de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), incluindo os quatro por H1N1 e outros dois que continuam em investigação. Três apontaram como não especificado.
No ano passado, neste mesmo período, eram seis, mas nenhum por H1N1. “É importante lembrar que os resultados dos exames, feitos na Fiocruz, saíram nesta semana, mas as mortes não aconteceram em sete dias”, acrescentou Penaforte.
Influenza em Pernambuco
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
Em 2016
238 casos
19 confirmações para influenza A H1N1
Em 2015 (mesmo período)
342 notificações de SRAG
Nenhum caso de influenza A H1N1
Óbitos
Em 2016
20 casos de SRAG com morte
4 confirmados para influenza A H1N1
Em 2015 (mesmo período)
12 casos de SRAG
Nenhum de H1N1
Síndrome gripal (SG)
Em 2016
193 coletas de pacientes com SG
Desses, 33 de influenza A H1N1
Em 2015 (mesmo período)
203 amostras
Sem confirmação de influenza A H1N1
Obs: Dados até o dia 23 de abril
A H1N1 no Brasil
1.365 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
230 óbitos por H1N1
Casos de H1N1 por estado
São Paulo 883
Santa Catarina 102 casos
Goiás 62
Rio de Janeiro 44
Minas Gerais 44
Pará 42
Distrito Federal 36
Rio Grande do Sul 32
Bahia 32
Paraná 30
Mato Grosso do Sul 14
Pernambuco 11
Alagoas 6
Ceará 6
Rio Grande do Norte 6
Espírito Santo 5
Mato Grosso 4
Paraíba 3
Amapá 1
Sergipe 1
Estados com mais mortes notificadas por H1N1
São Paulo 119
Santa Catarina 20
Rio de Janeiro 17
Rio Grande do Sul 13
Minas Gerais 10
Cuidados necessários
Lavar as mãos com frequência
Não usar talheres de outras pessoas
Evitar compartilhar copos e pratos
Tomar vacina
Tomar cuidado ao espirrar
Fonte: Diario de Pernambuco



