Queimados no HR após São João

O alívio nos olhos de Sandra Maria José, agricultora de 30 anos, era evidente na manhã de ontem. Seu filho Felipe, de 6 anos, acabara de receber alta do Hospital da Restauração (HR), após ter sofrido queimaduras no rosto por ter usado fogos de artifício. “Eu saí de casa por algumas horas e ele ficou brincando com os amiguinhos. Acabou acontecendo o acidente. Ano que vem, nada de fogos nem de descuido”, disse Sandra.

Assim como ela, muitas mães recorreram ao setor de queimados do HR neste São João. No período de 13 a 24 de junho, o hospital recebeu 29 pessoas que se envolveram em acidentes com fogos de artifício e fogueiras, sendo 18 delas crianças. O paciente mais jovem atendido foi um menino de dois anos, que teve queimaduras nas mãos, nos pés e nas pernas. Um homem embriagado chegou a explodir uma bomba na boca.

Todos os acidentados foram recebidos por Marcos Barreto, cirurgião plástico especializado em queimaduras, que recomenda fortemente a proibição do uso de fogos de artifício por crianças e o cuidado com as fogueiras. “As crianças são curiosas, não sabem discernir o que é perigoso e o que não é. É preciso acompanhamento dos pais, já que esses artefatos de São João são explosivos fortes, que causam mutilação e que não deveriam ser ofertados a crianças de forma alguma”, frisou o médico.

Para Marcos Barreto, as recomendações de cuidados para o período junino devem se estender para o ano todo. “Neste período, os acidentes são mais frequentes, mas queimaduras acontecem em qualquer dia do ano. Recebemos 29 pacientes no São João, mas ao longo do ano cerca de 250 pessoas passam pelo setor de queimados”, disse Barreto, que também alertou sobre o grande número de acidentes no dia de São Pedro, que será comemorado na próxima sexta-feira.

Em 2012, apenas no período entre o Dia de São João e o de São Pedro, 15 pessoas recorreram ao HR. Este ano, os ferimentos dos pacientes atendidos até então foram de queimaduras de segundo grau até mutilações parciais, que poderão deixar sequelas estéticas, como manchas, ou funcionais, como a limitação do corpo. (Marcela Pereira/Especial para o Diario)

Fonte: Diario de Pernambuco

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