Embora caiba recurso, a decisão liminar do juiz federal Roberto Wanderley Nogueira, mandando que a Secretaria Estadual de Saúde reabra o Centro de Transplantes de Medula óssea de Pernambuco (CTMO), foi comemorada e com razão, ontem. Porque a Fundação Hemope, o Sindicato dos Médicos (Simepe) e a Associação dos Amigos do Transplante de Medula Óssea nunca engoliram o argumento da SES de que a mudança do serviço do Hemope para o Hospital Português tornaria mais ágil a assistência aos pacientes. Não foi bem assim e o cúmulo de reclamações acelerou a ação pública movida por estas entidades e instituições. O fato de a sentença haver levado em conta o caso do garoto Matheus Henrique, ocorrido neste fim de semana, reflete um olhar mais demorado da Justiça sobre o dia a dia de sofrimento enfrentado pela população que depende dos serviços da rede pública de saúde. Matheus, de um ano e meio, teria falecido em decorrência da dificuldade de acesso a medicamentos essenciais, sem os quais pacientes de trombofilia (púrpura) não resistem, em caso de agravamento da doença, como foi o caso do menino. Sensível nos argumentos usados para embasar a decisão, o juiz escreveu: “Não é a primeira vez que o Estado de Pernambuco vem sendo crispado de responsabilidade pública por desassistência à saúde da população”. Quem há de discordar?
Fonte: Diario de Urbano



