Rap e arte contra o AEDES

A epidemia de dengue no Recife, que já fez adoecer mais de 11 mil pessoas e matou duas delas, anda inspirando alunos e professores da rede municipal. Estimulados pelas Secretarias de Saúde e de Educação, eles produziram peças de teatro, cartazes, panfletos, cartilhas e até rap, levando as escolas para as ruas, num diálogo entre a educação e a comunidade. São os novos multiplicadores de informação, reforçando o trabalho feito pelos agentes de saúde ambiental.

Na Escola do Córrego do Euclides, no Alto José Bonifácio, Zona Norte da cidade, as turmas do terceiro e do quinto ano trabalharam o tema no mês passado. “Trouxe vídeos e informações para a sala de aula, para despertar o interesse deles e ampliar o conteúdo. Em dupla e em grupo, eles bolaram vários materiais”, conta, orgulhosa, a professora Maria Rosângela Tavares.

Cartazes e panfletos com mensagens para os pais e a vizinhança foram criados, assim como um rap que será apresentado na próxima sexta-feira numa Mostra Estudantil de Combate à Dengue, promovida pelo Distrito Sanitário VII. O evento será no Parque da Macaxeira, quando os alunos serão homenageados pelo empenho, criatividade e atitude cidadã.

A diretora da escola do Córrego do Euclides, Edvânia Barbosa, explica que o engajamento da escola em mobilizações sociais é constante. Dessa vez, o trabalho teve um gostinho especial. “Quando estávamos fazendo a panfletagem no terminal de ônibus, descobrimos que havia larvas e pupas do mosquito da dengue em dois tanques com água”, conta a aluna Rayane Francisca da Silva, 10, do quinto ano. Orientada pela professora, a turma levou o fato ao posto de saúde mais próximo, que acionou soldados do Exército em ação na área. Os focos foram comprovados e eliminados. “Foi muito gratificante”, comenta Maria Rosângela.

Na mesma região, no Vasco da Gama, a diretora da Escola Almerinda Umbelino de Barro, Rafaela Cybele, mostra uma cartilha produzida pelos estudantes. O material traz informações sobre a doença e ensina até a capturar os mosquitos. O projeto educativo incluiu uma pesquisa com a comunidade. Enquanto entregavam o material educativo, os alunos mediam o nível de informação dos moradores. Descobriram que a maioria sabia os sintomas da dengue, mas uma proporção menor conhecia como evitar os criadouros.

No Sítio dos Pintos, em Dois Irmãos, na área do Distrito Sanitário III, a Escola Mundo Esperança transformou os estudantes em agentes mirins, também estreitando a relação com a comunidade. “A educação ajuda na mudança de hábito. O que as crianças aprendem na escola levam para casa e para as ruas. Acabam influenciando o comportamento dos adultos”, aposta Vânia Freitas, gerente de Vigilância à Saúde do Distrito III, consciente de que a luta contra a epidemia não será vencida apenas pelos profissionais de saúde. Cerca de 90% dos focos de dengue estão nos domicílios, associados a recipientes com água.

Fonte: Jornal do Commercio

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas