FEIRA Evento do setor de saúde, que ocorre até amanhã, no Centro de Convenções, pretende movimentar R$ 50 mi em negócios
Começou ontem a primeira Hospitalmed, no Centro de Convenções de Pernambuco (Cecon-PE), em Olinda, Região Metropolitana do Recife. A maior feira do segmento médico-hospitalar do Norte e Nordeste pretende movimentar, até amanhã, R$ 50 milhões em negócios. Além dos cem estandes de produtos, soluções, serviços e promoções institucionais, o evento conta com congresso, fórum, simpósio e workshop – tudo para quem é da área de saúde.
A Hospitalmed é um evento inédito na região e acontece no segundo maior polo médico do País – Pernambuco só fica atrás de São Paulo. Apesar das diferenças que cada localidade guarda, uma característica tem sido comum em todo o Brasil: a depuração e a consolidação do mercado, que têm influenciado sensivelmente os investimentos e negócios na área.
Sobretudo do ano passado para cá, os prestadores de serviços de saúde têm amargado prejuízos devido à falência de várias operadoras. Somente no Estado, quatro empresas fecharam as portas: Meridional, Ideal, Real e América. Juntas, elas possuíam 220 mil vidas, das quais 80% não migraram para novos planos e voltaram para o Sistema Único de Saúde (SUS).
A saída delas do mercado significou uma dívida de R$ 40 milhões para os prestadores locais, segundo cálculos do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Laboratórios de Pesquisa e Análises Clínicas do Estado de Pernambuco (Sindhospe). Em consequência, muitos empresários precisaram colocar um freio em novos investimentos.
Mas, na visão do presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNS), José Carlos Abrahão, presente ontem na abertura da Hospitalmed, o momento é de transição e vai servir para “separar o joio do trigo”. Ele argumenta que é preciso criar uma estrutura séria, capaz de dar retorno ao investimento pago pelos clientes dos planos de saúde. Segundo Abrahão, isso só é possível tirando do mercado instituições que iludem o consumidor com produtos com os quais não conseguem arcar.
A análise que o mercado faz é que se deu um passo atrás para se dar dois à frente, na expectativa do fim da proliferação dos planos de saúde de baixa qualidade. Na avaliação do presidente do Sidhospe, Mardônio Quintas, o mercado formado pelas empresas que faliram era, na verdade, irreal, de baixa qualidade e de baixa remuneração.
Para o consumidor, a má notícia é que o grande volume de planos negociados atualmente é do tipo coletivo, que não tem reajuste regulado pela Agência Nacional de Saúde (ANS) e muitas vezes não tem contratos transparentes, sendo alvo constante de entidades de defesa do consumidor, que criticam a restrição à venda de planos individuais por parte das operadoras.
Fonte: Jornal do Commercio



