Quase metade da população recifense tem excesso de peso. Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde revela que 47% dos 1,6 milhão de habitantes da capital pernambucana estavam com sobrepeso ano passado, índice que cresceu 3,7% em seis anos. Em 2006, eram 43,3% nessa situação. A obesidade também aumentou no Recife. A taxa era de 11,9%, em 2006, e chegou a 14,8%, em 2011. O estudo Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2011), divulgado anteontem, abrangeu todas as capitais brasileiras e o Distrito Federal. Foram entrevistados por telefone 54 mil adultos em 2011, dos quais 2.005 no Recife.
“São índices que preocupam, mas que não diferem muito do cenário nacional. Embora os percentuais tenham aumentado de 2006 a 2011, em um ano, de 2010 para 2011, percebemos que houve queda na população com obesidade e com excesso de peso no Recife. Eram 17,5% com obesidade, em 2010, contra 14,8%, ano passado. Com excesso de peso, havia 49,8% dos recifenses, dois anos atrás. Esse índice caiu para 47%, em 2011”, informa a gerente das Academias da Cidade da Prefeitura do Recife, Geanine Barros.
Um dado positivo, ressalta Geanine, é que cresceu a quantidade de pessoas que praticam atividades físicas. Subiu de 14,7%, em 2006, para 29%, em 2011.
A dona de casa Elzira Seuajlrick, 76 anos, por exemplo, modificou a rotina depois que seu cardiologista identificou que ela estava com o peso acima do recomendado. Desde janeiro de 2008, ela frequenta a Academia da Cidade que funciona na Praça Miguel de Cervantes, na Ilha do Leite, área central do Recife. “Comecei na Academia da Cidade pesando 78,5 quilos, agora tenho 72 quilos. Estou gostando de fazer exercícios. Percebo que estou mais rápida, mais esperta”, diz Elzira. Outra mudança na rotina da dona de casa, moradora da Boa Vista, foi o maior consumo de frutas.
Atualmente, o Recife dispõe de 29 Academias da Cidade, mas a meta é chegar a 42 até o fim do ano. Por mês, cerca de 60 mil pessoas utilizam o espaço, participando das aulas ou usando os equipamentos. “Além de ampliar as áreas para prática de atividades físicas, desenvolvemos o Programa Saúde na Escola”, explica Geanine. O projeto compreende formação para professores, merendeiras, alunos e comunidade, além de controle da merenda e atividades de educação física nas escolas. Vinte colégios municipais fazem parte do programa. Até maio, outros 43 serão inseridos.
De acordo com a pesquisa, a proporção de pessoas acima do peso no Brasil avançou de 42,7%, em 2006, para 48,5%, em 2011. No mesmo período, o percentual de obesos subiu de 11,4% para 15,8%. A obesidade é um forte fator de risco para saúde e tem relação com altos níveis de gordura e açúcar no sangue, excesso de colesterol e casos de pré-diabete. Pessoas obesas também têm mais chance de sofrer com doenças cardiovasculares, principalmente isquêmicas (infarto, trombose, embolia e arteriosclerose), além de problemas ortopédicos, asma e apneia do sono, entre outras doenças.
O consumo excessivo de sal, por exemplo, é apontado como fator de risco para a hipertensão arterial. Para diminuir o consumo de sódio entre a população, o Ministério da Saúde firmou acordo voluntário com a indústria alimentícia que prevê a diminuição, gradual, do uso do sódio em 16 categorias de alimentos. Pão francês, massas instantâneas e maionese estão nesse grupo.
CIRURGIA
O engenheiro Mozart Batista, 59, está com 83 quilos. Fará hoje cirurgia bariátrica, popularmente como redução de estômago, no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), em Santo Amaro. Apesar de estar acima do peso, o procedimento foi recomendado por ele ser diabético. “Passei a engordar depois que casei, quando tinha 24 anos. Além de comer mais, parei de jogar bola. Meus pais eram obesos”, conta Mozart, que tem um casal de filhos. A filha já passou pela mesma cirurgia. O filho, Mozart Júnior, 34, reconhece que se não se cuidar também ficará obeso.
“A obesidade no Brasil é hoje um problema de saúde pública. Tanto que o Ministério da Saúde criou um programa de cirurgia da obesidade no mesmo nível de programas institucionais como da catarata e de próstata”, observa o médico Pedro Cavalcanti, coordenador do programa de cirurgia da obesidade do Huoc. Por ano, o hospital realiza entre 120 e 130 operações. Há uma lista de espera de 500 pacientes. ” A média de espera é de um ano, quando o ideal era que fosse de três meses”, explica Pedro.
Fonte: Jornal do Commercio



