Brasília – O Sistema Único de Saúde será obrigado a oferecer às pacientes com câncer de mama a possibilidade de reconstruir essa parte do corpo no momento da mastectomia, que é a cirurgia de retirada do seio doente. Caso não seja possível fazer as duas intervenções cirúrgicas simultaneamente, o SUS deverá agendar uma data para que a reconstrução da mama seja feita. A nova regra passa a valer a partir do momento em que a presidente Dilma sancionar o projeto aprovado pelo Senado Federal, na noite de terça-feira. O texto já havia sido aprovado na Câmara. Atualmente, a rede pública já é obrigada a fazer o procedimento de reconstituição mamária, mas as pacientes são obrigadas a esperar por um longo período té que o SUS marque a data da cirurgia.
Segundo a chefe da Unidade de Cirurgia Plástica, Nadja Alexim, a espera dura, em média, três meses e, em alguns casos, são necessários mais de três procedimentos para finalizar a reconstrução. “Mas, o sistema de saúde local já está trabalhando para fazer as duas cirurgias (mastectomia e reconstituição) imediatamente”, ressalvou.
Aos 42 anos, a auxiliar de escritório Maria do Socorro Nazareth foi diagnosticada com câncer de mama. Ela iniciou o tratamento na rede pública de saúde do DF e, após 11 sessões de quimioterapia, foi obrigada a se submeter à mastectomia radical, isto é, a retirada por inteiro de uma das mamas. Depois, submeteu-se a 28 sessões de radioterapia. Como a doença estava em estágio avançado, Maria não pôde aproveitar a mesma cirurgia para fazer a reconstrução imediata do seio, mas também não teve orientação sobre quando iria se submeter à reconstrução. “Só em 2011 fiz a primeira parte da reconstituição, mas tive um problema, então, estou novamente na lista à espera do procedimento. Não fui orientada sobre quando nem onde poderia fazer a cirurgia, se não, teria procurado antes”.
Na opinião de Maria do Socorro, a possibilidade de ter um novo seio é fundamental para as pacientes com câncer, porque elas ficam muito abaladas psicologicamente. “Já é difícil receber o diagnóstico do câncer, perder uma parte do corpo que nos identifica, então, só piora a situação. Desde 2009 não tenho a mama e, até hoje, o meu lado psicológico está comprometido”.
Para a atual secretária do governo do Amazonas, Rebecca Garcia, que, em 2008, propôs o projeto aprovado agora, a lei fará diferença na vida de muitas pacientes. “A retirada da mama tem impacto muito grande na vida de uma mulher. Muitas entram em depressão porque acham que não têm condições de enfrentar a sociedade.”
Fonte: Diario de Pernambuco



