Era domingo, dia 7 de setembro de 2008, quando Marciano foi atacado pelo animal. Morando a cerca de 65 quilômetros do centro de Floresta e sem transporte, o pai, João Menezes, só conseguiu levar o garoto a um hospital quando ele começou a perder o movimento das pernas. “No início a gente pensava que era meningite. Só depois de vários exames foi descoberto que ele estava com raiva”, relembrou João. “Os médicos deram apenas sete dias de vida ao meu filho, devido ao estado em que ele estava. Mas eu nunca desisti”, disse o pai.
Os médicos que trataram Marciano Menezes, no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Recife, não sabem especificar o que foi determinante para a cura do garoto, considerado o primeiro brasileiro a se ver livre do vírus da raiva. “Era um menino muito valente”, lembrou o infectologista Vicente Vaz, que fez parte da equipe multidisciplinar que cuidou do pernambucano que passou 11 meses internado.
No período de quase um ano de internamento, o garoto foi submetido a diversos procedimentos médicos, a maior parte deles baseada no Protocolo de Milwaukee, criado pelo americano Rodney Willoughby que, em 2004, conseguiu tratar uma paciente com raiva com sucesso. “Em 2005 saiu um artigo numa revista médica falando do protocolo criado pelo doutor Willoughby. Depois disso, tivemos uma paciente no Oswaldo Cruz na qual tentamos usar a técnica, mas ela morreu muito rápido. Depois, quando recebemos Marciano, eu e doutor Gustavo Trindade Filho, que era o chefe da UTI na época, decidimos tentar novamente e deu certo”, contou Vicente Vaz.
Os médicos pernambucanos que atenderam Marciano entraram em contato com Rodney Willoughby e conseguiram reproduzir o protocolo criado pelo americano, baseado nas condições do Hospital Universitário Oswaldo Cruz. “Eu mesmo não acreditava, mas Marciano foi resistindo à infecção, o Ministério da Saúde se envolveu, o próprio Willoughby veio ao Recife, e nós conseguimos ter sucesso”, ressaltou o infectologista Vicente Vaz.
Desde o caso de Marciano, curado em 2009, o Huoc não recebeu mais pacientes com raiva. Ele é o terceiro, no mundo, a superar a raiva, e o segundo a sobreviver (uma colombiana que se livrou do vírus morreu por complicações clínicas posteriores).
Fonte: Jornal do Commercio



