As Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) foram criadas há dois anos para desafogar as policlínicas e fazer uma espécie de triagem. O doente ficaria ali por, no máximo, 24 horas, e depois, se necessário, seria transferido para um hospital. Mas há reclamações, inclusive de funcionários, de que muitos pacientes estão “represados” nas unidades por falta de leito ou estrutura para recebê-los nas grandes emergências do SUS.
Um paciente com pneumonia passou quatro dias internado na UPA do Ibura porque não havia ponto de oxigênio disponível nos Hospitais Agamenon Magalhães, Getúlio Vargas e Otávio de Freitas. Outro com crise de abstinência alcoólica ficou sete dias esperando um leito no Hospital da Mirueira que não apareceu. Acabou tendo alta da UPA mesmo. Mas o que preocupa os profissionais de saúde é a insuficiência de pontos de oxigênio. Um médico que esteve no Hospital Otávio de Freitas, ontem, conta que a área verde da unidade, onde os pacientes aguardam vagas na enfermaria, está sendo desativada. São 40 leitos a menos, que contam com pontos de oxigênio. Por que tal medida, quando a demanda é tanta?
Para o serviço funcionar bem, a rede ambulatorial deveria fazer sua parte no atendimento básico, o que nem sempre ocorre. A UPA também precisa escoar, rapidamente, os pacientes mais graves para os grandes hospitais. Com a superlotação, alguns vão e voltam, numa via-crúcis sem fim.
Fonte: JC nas Ruas (Cláudia Parente)



