Há 45 anos, a dona de casa Lídia dos Santos, hoje com 68 anos, se preparava para dar à luz o primeiro filho na Maternidade Bandeira Filho, em Afogados. A cena se repetiu outras sete vezes. Ontem, estava apreensiva. Acompanhava a neta de 17 anos, prestes a ter o primeiro filho.
Uma espera de mais de seis horas. “Chegamos às 10h30. Ela foi atendida pela manhã, fez alguns exames, mas terá que fazer outros porque a gravidez é de alto risco. Se tivesse mais médicos acho que seria mais rápido”, contou. A situação, entretanto, será amenizada. A Prefeitura do Recife anunciou ontem um pacote para a área da saúde que inclui investimentos de R$ 134,9 milhões na reforma de 82 unidades – entre elas a Bandeira Filho e Barros Lima, em Casa Amarela – e na construção de outras 19. Além da melhoria estrutural, a rede irá contratar 374 novos profissionais que começarão a trabalhar no mês de julho em 18 áreas como assistência social, farmácia, policlínicas, Samu, saúde da família, mental, ambiental e bucal.
De acordo com o prefeito Geraldo Julio, esta é a maior nomeação na área da saúde na cidade. Com o anúncio dos novos servidores, todos concursados, a prefeitura fechou o primeiro semestre com a efetivação de 627 profissionais, já contratados em janeiro. Isto quer dizer que 80% dos 812 aprovados no concurso realizado em 2012 foram chamados. As novas nomeações vão custar R$ 2,2 milhões por mês na folha de pagamento. “Estamos atendendo a necessidade do serviço. É uma conta que teremos que arcar. Fizemos um estudo e um dos principais problemas é a falta de médicos. Faremos uma estruturação completa”, acrescentou.
As três áreas que receberão maior atenção são a saúde da família, saúde mental e atendimento médico nas policlínicas. No caso das nomeações de agentes comunitários, o aumento do efetivo será de quase 15%. “Temos 1.780 agentes e vamos nomear 230. No caso de agentes ambientais vamos aumentar 10%”, explicou o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. O atendimento bucal também receberá destaque. Hoje, segundo o secretário, a cobertura é de cerca de 28%. “O SUS prevê uma relação igual à cobertura da saúde da família e da saúde bucal. Temos uma cobertura de 60% na saúde da família. A metade deste percentual é de saúde bucal. Isso mostra a deficiência”, disse Correia.
Com o anúncio da qualificação da rede, a meta do executivo é investir 20% do orçamento na área de saúde. Pelo cálculo da prefeitura, a cada ano serão aplicados 1,3%, resultando no investimento de 16,25% em 2013, de 17,5% em 2014 e de 18,25% em 2015. A Constituição Federal determina investimento mínimo de 15% da receita em ações de saúde. (Rebeca Silva)
Fonte: Diario de Pernambuco



