A Promotoria da Saúde do Ministério Público Estadual está cobrando explicações sobre a reforma da maternidade do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), na Encruzilhada, Zona Norte do Recife, que restringiu atendimento a parto de alto risco e problemas ginecológicos há mais de duas semanas. O serviço do hospital vinculado à Universidade de Pernambuco vai funcionar em outros espaços enquanto durar a obra, mas o atendimento provisório ainda não começou.
Estou instaurando um procedimento para acompanhar essa mudança. Vou encaminhar ofício à reitoria da UPE e à Secretaria de Saúde para saber que medidas estão sendo adotadas para minimizar os impactos à população enquanto durar a reforma, explicou o promotor Clóvis Sodré da Mota.
Ele reconhece que a obra (recuperação do telhado e instalações elétricas) da maternidade do Centro Amaury de Medeiros trará benefícios. Mas está preocupado com a restrição de atendimento. A Secretaria de Ciência e Tecnologia, à qual a UPE e o Cisam estão vinculados, informou na semana passada que a atenção ao parto funcionará provisoriamente em dependências do Hospital Alfa, da rede privada, em Boa Viagem. São mais de 100 leitos na maternidade do Cisam. É preciso garantir ao menos o mesmo quantitativo, pois a obstetrícia não pode dispensar essa oferta, explicou o promotor, lembrando o gargalo da área materno-infantil na rede pública de Pernambuco, estadual e municipal.
O Cisam é uma das cinco grandes maternidades de alto risco localizadas na capital. Além disso, trata-se de serviço pioneiro na atenção a mulheres vítimas de violência sexual.
Uma das ideias era transferir a parte de ginecologia para enfermarias de outro hospital da UPE, o Oswaldo Cruz. E levar as equipes de assistência à mulher vítima de violência para reforçar o plantão da mesma área no Hospital Agamenon Magalhães, na Tamarineira.
Até o início da noite de ontem, não havia informações oficinais da UPE sobre o início do atendimento de obstetrícia do Cisam no Hospital Alfa. Funcionários do centro de saúde, no entanto, contam que equipamentos e mobiliários já começaram a ser transferidos. Lideranças sindicais da universidade argumentam que todo o transtorno envolvendo a reforma do Cisam poderia ter sido evitado se a Universidade de Pernambuco tivesse autonomia financeira e verba estadual para fazer a manutenção regular dos seus hospitais. A atual reforma teria sido solicitada há mais de três anos e só recentemente foi liberada a metade dos R$ 6 milhões prometidos pelo Estado. Além de problemas físicos, o serviço tem déficit de pessoal. Um concurso foi feito este ano, mas os profissionais ainda não foram chamados para ocupar cargos.
Fonte: Jornal do Commercio



