Remédio contra HIV vai tornar-se mais acessível ao mundo

GENEBRA (EFE) – As crianças portadoras do vírus HIV em 118 países de baixa renda, onde vivem 98,7% das afetadas pela doença, poderão obter um dos remédios pediátricos mais importantes do tratamento anti-retroviral que até agora era vendido sob patente, e que será fabricado a baixo custo por companhias de produção de genéricos. A fundação privada suíça Medicines Patent Pool (MPP) anunciou na última quarta-feira que assinou um acordo com a empresa ViiV Healthcare para produzir medicamentos.

Um dos poucos remédios que existem contra o vírus é o Abacavir, produzido pela ViiV, e que graças à iniciativa da MPP poderá ser vendido sem patentes e muito mais barato. A fundação se dedica a buscar conciliações que eliminem as patentes, com as quais não contam os países em desenvolvimento e é financiada pela organização Unitaid, cujos fundos provêm de cerca de 30 países e que por sua vez se dedicam a financiar programas contra a malária, a aids e a tuberculose.

Os remédios serão criados por companhias de genéricos, após serem autorizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A ViiV cede o medicamento sem custos e não cobrará royalties por isso. “Acho que é parte de sua política de responsabilidade, mas também é um fato que não há interesse financeiro nesses mercados, e preferem repassá-los a terceiros”, explicou o diretor-executivo da MPP, Greg Perry. Todas as empresas de genéricos que desejarem poderão aderir ao acordo e produzir o Abacavir. “Quanto mais forem produzidos, mais o preço cairá”, acrescentou.

Aproximadamente 3,4 milhões de crianças no mundo são portadoras do vírus HIV, porém só 562 mil delas têm acesso ao tratamento, segundo a OMS. Isso se deve não só porque os países não podem financiar o tratamento, mas também por haver muito poucos remédios pediátricos, “pois a incidência do HIV em crianças nos países desenvolvidos foi reduzida a níveis ínfimos, e as farmacêuticas não têm interesse econômico em desenvolvê-los e produzí-los”, explicou o conselheiro legal da MPP, Chan Park.

Fonte: Folha de Pernambuco

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