Residência médica tornou-se um atrativo

Ainda que próspera, a migração da classe médica para as três regiões que compõem o Interior pernambucano ainda é tímida. Para incentivar o interesse, as residências médicas surgem como solução para estreitar os laços entre médicos e cidades interioranas. Em 2001, foi implantada a especialização no Hospital Regional do Agreste (HRA), em Caruaru. De acordo com o coordenador de residência, Valter Lira, o HRA foi a primeira unidade do Interior a oferecer residência. “Começamos com apenas algumas vagas, hoje, contamos com mais de 30 residentes. A iniciativa se deu principalmente, para que os médicos, maioria da Capital ou de outros estados, conhecessem o Interior de Pernambuco, que criasse laços e ficasse”, relatou. Ainda de acordo com o médico, todos os anos, são lançados no mercado dezenas de médicos especializados pelo HRA e 90% dão continuidade a suas atividades na região. “Como é que os profissionais que nunca tiveram vínculos com o Interior vão optar por trabalhar aqui? A possibilidade é mínima. A residência médica prova que uma vez familiarizado com a região, os profissionais tendem a ficar”, pontuou Valter Lira. Confirmando a suspeita do médico, residentes demonstram interesse em trabalhar na região. Mariana Albuquerque é do Recife, escolheu fazer residência em Caruaru pela proximidade com a capital e pensa em permanecer no município. “Não descarto a possibilidade. Se tiver oportunidade fico na cidade”, declarou a futura anestesiologista. Roberto Flores compartilha do mesmo pensamento que o da colega. “Sou do Recife, mas Caruaru tem um campo muito bom para a medicina. Tenho vontade de trabalhar na região, sim”, informou. O coordenador da residência do HRA ressaltou que devido à demanda, existe o interesse em aumentar as vagas ofertadas. Na semana passada, o Ministério da Saúde anunciou que até 2017 irá abrir 12 mil vagas de residência médica em todas as especialidades. As primeiras quatro mil vagas serão criadas até 2015. As medidas serão acompanhadas de um investimento anual de R$ 80 milhões em hospitais e unidades de saúde que expandirem programas

Apenas duas unidades têm especialização

Atualmente, duas instituições oferecem residência médica no Interior, o Hospital Regional do Agreste, em Caruaru e o Hospital Dom Malan, em Petrolina. No entanto, uma dezena de hospitais regionais encabeçam 12 Gerências de Saúde (Geres) espalhados pelo Estado. A implantação de residências médicas nessas unidades poderia acarretar no mesmo efeito que sucedeu em Caruaru e Petrolina: a aderência de novos médicos à região. Para isso, as unidades regionais teriam que se enquadrar nas especificações exigidas pelo MEC em relação à estrutura e equipe de preceptores. As únicas unidades que conseguiram o direito de oferecer a residência, além de cumprir com as exigências, são submetidas a avaliações periódicas. Segundo o diretor do Hospital Regional do Agreste José Bezerra, a autorização para ampliar o quadro de vagas não deve ser um obstáculo para a unidade. “Estamos entre os seis hospitais mais importantes do Estado”, relatou. Quanto à falta de especialistas médicos, o gestor é contundente. “Quando vejo alguém se referindo a falta de médicos sou enfático, não existe falta de médico, existe a má distribuição”, ressaltou José Bezerra. Enquanto os hospitais sede de cada Gere não disponibiliza especialização, muitos médicos tentam vagas nas unidades de saúde das regiões Sul e Sudeste do País. “Penso em tentar residência no Rio ou São Paulo porque lá existem mais vagas e variedades de cursos. Mas se houvesse especializações por aqui, com certeza optaria por ficar no meu Estado, perto de casa”, afirmou o graduando em medicina, Carlos Monteiro, natural de Afogados da Ingazeira.

Fonte: Folha PE

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