
Maria Eliza Aguiar e Silva é dona de faculdade privada em Caçapava (SP) que não possui curso de medicina. Mesmo assim, oferece revalidação por meio de cursos de complementação. Também é reitora de outra faculdade particular que tem a mesma prática. Além disso, ocupa o cargo de administradora destas e de uma terceira faculdade. Todas operando sob a marca-fantasia de Centro Universitário São Lucas.
A suplente do senador Confúcio Moura, relator da MPV do Médicos pelo Brasil, foi a maior doadora da campanha dele para o Senado. Os aportes de Maria Eliza só ficam atrás dos feitos pelo fundo partidário e pelo próprio senador.
As emendas aceitas pelo relator, que permitem a revalidação de diplomas por faculdades particulares, podem ser um verdadeiro presente dele para a suplente, justamente no dia em que a faculdade da qual Maria Eliza detém 98% do capital social completará seis anos (24/09).
Se o relatório for aprovado com essas emendas, todas as irregularidades e farras na revalidação de diplomas de medicina denunciadas pela AMB e alvo da operação Vagatomia passarão a estar legalmente autorizadas.
O mercado irregular de revalidações via cursos de complementação é gigantesco no Brasil. As empresas intermediadoras cobram até R$ 130 mil para conseguir alocar nestes cursos os reprovados nas provas de revalidação. Para as faculdades, as mensalidades dos cursos de complementação representam receita extra, sem necessidade de ampliar o número de vagas de medicina aprovadas pelo MEC.
Para a AMB, é completamente descabido que um assunto tão sério e determinante para a saúde da população brasileira esteja subjugado aos interesses de quem quer fazer da revalidação de diplomas médicos um grande negócio.
Fonte: Assessoria de Comunicação da Associação Médica Brasileira (AMB)



