Sabia que o mau humor pode ser doença? Entenda mais sobre a distimia

Provavelmente você deve conhecer alguém com um temperamento forte. Em alguns casos, pessoas assim podem ser conhecidas por sua irritabilidade extrema e personalidade rabugenta. Mas e quando o mau humor é um traço contínuo no cotidiano da pessoa? Quando esses aspectos são habituais na rotina do ser humano, é importante ficar atento: pode ser sinal de doença. Pouco debatido na atualidade, o distúrbio atende pelo nome distimia, uma forma crônica e branda da depressão.

A grande diferença entre as duas doenças é que a distimia não se instala de repente. Não há uma marca brusca no surgimento dos sintomas. Por isso, os especialistas tendem a confirmar o diagnóstico apenas se o quadro clínico perdurar por, no mínimo, dois anos. “As sensações devem ser contínuas para que o médico possa diagnosticar a distimia, que pode afetar tanto adultos como crianças. Nos pacientes maiores, o distúrbio pode interferir no apetite e no sono, por exemplo. Os indivíduos adultos, por conviverem com essas características, começam a ter dificuldade de concentração e na tomada de decisões, sintomas característicos da depressão. Já nas crianças, o humor fica muito mais irritadiço”, explica a psiquiatra Luciana Paes, doutora em neuropsiquiatria e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Diferentemente de outros transtornos mentais, geralmente desenvolvidos mais tardiamente, os sintomas da distimia podem surgir ainda na infância. Dessa forma, as características são associadas à personalidade da pessoa. “Normalmente os sintomas da distimia começam desde idades mais precoces e são incorporadas ao longo da vida do indivíduo. Essas pessoas chegam no consultório médico mais velhas e relatam essas sensações como se fossem características normais da sua personalidade, quando, na verdade, configuram um tipo de depressão. Os sintomas não são tão graves como a depressão clássica, mas podem prejudicar significativamente várias áreas, como aspectos pessoais e profissionais, de acordo com o tempo em que perduram na vida do paciente”, esclarece a médica.

A boa notícia é que a doença tem tratamento, focado principalmente na psicoterapia, importante aliada na intervenção terapêutica de distúrbios mentais. “A psicoterapia é essencial para readaptar o paciente a outro nível de entendimento das coisas. A pessoa reaprenderá a viver de forma mais habilidosa com relação ao que acontece em sua volta. Com o tratamento e medicações adequadas, o paciente passa a ter uma vida com muito mais qualidade de vida”, pontua.

Fonte: Jornal do Commercio

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