São José do Egito na polêmica da saúde

São José do Egito, no Sertão do Pajeú, tem 32 mil habitantes e, como um dos principais municípios da microrregião, sempre recebeu moradores de cidades vizinhas, como Brejinho, Itapetim, Tuparetama, e até mesmo da Paraíba Estado com o qual faz fronteira para o atendimento de saúde em seu hospital público. Desde o dia 1º de novembro, no entanto, os egipcienses ganharam um benefício: apenas eles poderão ser atendidos na principal unidade hospitalar do município, o Hospital Geral Maria Rafael de Siqueira outrora estadual, mas que foi municipalizado há oito anos.

No dia 25 de outubro, o prefeito Evandro Valadares (PSB) assinou portaria que entrou em vigor no último dia 1º em que proíbe o atendimento de pacientes oriundos de outros municípios, salvo nos casos de urgência e/ou emergência, conforme diz o texto, ressalvando que nos casos de urgência e/ou emergência, após realizado o pronto atendimento e ultrapassada a fase de risco de vida, o paciente deverá ser encaminhado para o seu município de origem. Para comprovar ser morador da cidade, o paciente precisará apresentar na recepção do hospital, antes de ser atendido, cartão do SUS, título de eleitor ou algum outro documento que comprove sua residência.

Questionado sobre o assunto, Evandro Valadares justificou a portaria afirmando que o hospital estava ficando sobrecarregado e faltando vagas para a população local. Além das cidades vizinhas do Estado, estávamos recebendo pacientes de até 22 cidades da Paraíba. Estava faltando vagas para os filhos de São José do Egito, afirmou. O prefeito colocou como um dos culpados pela situação no município o ex-diretor do hospital e atual adversário político Romério Guimarães.

Ele é um excelente profissional, mas depois que foi demitido da direção do hospital, passou a dizer que lá não tinha condição de receber a população de São José, que o hospital estava sempre cheio. Só que as pessoas que ele atendia de forma particular, muitos de outras cidades, eram encaminhados por ele justamente para o hospital que dizia estar lotado. Isto estava fazendo com que o pessoal de fora fosse atendido, e não os moradores daqui, reitera o prefeito. Ele acusa jogo político visando as eleições 2012, por parte do adversário, nas críticas que vem recebendo pela medida.

Presidente municipal do PT e provável candidato a prefeito em 2011  possivelmente disputando contra o atual vice-prefeito, Eclériston Ramos (PSB) , Romério Guimarães ignora as afirmações de Valadares. Ele está misturando as coisas, quer encontrar um bode expiatório para justificar a atitude dele. Eu não misturo as coisas, política não tem nada a ver com o que ele fez. Você acha que eu tenho condições de encher o hospital? Claro que não, isso não tem nada a ver, respondeu.

Dois dias após a assinatura da portaria, uma gestante do município de Brejinho foi até o hospital de São José do Egito fazer uma cesariana previamente marcada. Foi inicialmente barrada. Só após uma solicitação escrita à mão feita pelo juiz da comarca local, José Francisco de Almeida Filho, é que o hospital julgou se tratar de um caso de urgência e/ou emergência, e realizou a cirurgia.

Governo contra a prefeitura

A postura tomada pelo prefeito de São José do Egito, Evandro Valadares (PSB), de assinar uma portaria proibindo o atendimento de pessoas oriundas de outros municípios no Hospital Geral Maria Rafael de Siqueira não agradou à Secretaria Estadual de Saúde. Por meio de nota, o órgão demonstrou insatisfação com a decisão do município e anunciou que realizará amanhã uma reunião com o gestor para resolver a questão.

Sobre o Hospital Geral Maria Rafael de Siqueira, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informa que a unidade é administrada pela Prefeitura de São José do Egito, que tem gestão plena do Sistema Único de Saúde, ou seja, tem autonomia administrativa e recebe, diretamente do Ministério da Saúde, R$ 2,1 milhões por ano para garantir o atendimento integral de média complexidade (inclui consultas especializadas, exames e cirurgias eletivas) à população da microrregião, composta pelos municípios de São José do Egito, Tuparetama, Itapetim, Brejinho e Santa Terezinha, diz a nota.

No texto, a secretaria ressalta que a decisão da prefeitura não possui respaldo legal, uma vez que o SUS é universal e sem divisas e limites dentro do território nacional”. “Diante disso, o secretário Estadual de Saúde, Antonio Carlos Figueira, vai se reunir, na próxima quinta-feira (10/11), com o prefeito do município e a gerente da X Gerência Regional de Saúde (que abrange 12 municípios da região, incluindo São José do Egito) para buscar uma solução para o problema e rever a Programação Pactuada Integrada (sistema que define a transferência de recursos e prestação de serviços de saúde entre cidades) da microrregional.

Após o recebimento da nota, o JC voltou a procurar o prefeito, mas seu celular estava desligado. (P.A.)

Fonte: JC

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