Pernambuco começou uma verdadeira operação de guerra para conter o avanço do sarampo. Depois de ter sido certificado no ano de 2000 como área livre da doença, o Estado saiu da zona de conforto e vive atualmente um surto. De março até o dia 16 de novembro, foram 112 casos confirmados do mal, alémde umóbito de umbebê de setemeses que faleceu por complicações da doença, na cidade de Moreno.
Para barrar novas notificações foi iniciada, ontem, uma campanha de vacinação extra em 16 municípios que apresentaram doentes. A meta é imunizar 277 mil crianças de seis meses a quatro anos e 11 meses, num esforço da União, Estado e municípios. “Precisamos quebrar a cadeia de transmissão”, afirmou a coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI) em Pernambuco, Ana Catarina Melo. Ela destacou que antes do surto o programa determinava que os bebês recebessem a primeira dose aos 12 meses, mas agora a idade foi reduzida, já que a maior parte dos contaminados tinha entre seis e 11 meses de vida.
A diretora de Controle de Doenças e Agravos da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Rosilene Hans, frisou que os pais devem comparecer a qualquer posto de vacinação do Estado para proteger seus filhos, mesmo que eles estejam com os cartões de vacina em dia. A busca dos pais pela imunização contra o sarampo começou rapidamente. No posto do Imip, a procura pela dose foi grande durante o dia de ontem. “ Vim logo, por precaução”, disse a dona de casa, Poliana Araújo, de 25 anos, mãe da pequena Alice, de seis meses. Os municípios prioritários em Pernambuco nesta campanha são Cabo ( com 24 casos), Recife (19), Goiana (14), Paulista (10), Vitória (9), Escada (6), Olinda (6), Jaboatão (5), Abreu e Lima (4), Condado (2), Serinhaém (2), Camaragibe (2), Carpina (2), Aliança, Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru, Primavera, Moreno e Ipojuca (todos com 1 caso).
Para se ter noção como a situação no Estado preocupa basta comparar com outras regiões onde também aconteceram notificações este ano. “Houve um no Distrito Federal, três emMinas Gerais, seis em São Paulo e nove na Paraíba”, listou Ana Catarina. De acordo com a diretora, o tipo do vírus encontrado aqui é o D8, mais comum em países da Europa (a França, por exemplo, passou por uma epidemia), Ásia e Canadá, regiões que sempre passam por surtos da doença. “A presença estrangeira, em volume maior no Estado, e em contato com pessoas não vacinadas pode ter iniciado o surto”, disse.
Fonte: Folha de Pernambuco



