Absurdo. Nenhum outro termo pode definir tão bem a situação alarmante que o setor de saúde do Cabo de Santo Agostinho vem enfrentando nos dias atuais. Nesta terça-feira (06), dia em que os profissionais vinculados ao município realizaram paralisação de advertência, devido a omissão de respostas por parte da prefeitura, foi constatado pela comitiva do Simepe e dos médicos durante visita realizada em alguns PSFS, o descaso com à saúde.
Logo no início da manhã, foi realizada uma assembleia para discutir os pontos a serem reivindicados no Movimento de Valorização do Médico. Em seguida, foram feitas visitas em unidades do Programa Saúde da Família. A primeira parada foi no PSF Charnequinha, onde vários problemas foram encontrados, tais como: cadeiras quebradas, mofo, teto descascando, ambientes insalubres e com focos de dengue, refletindo em um local sem nenhuma condição para o correto exercício médico. Há 10 meses, os profissionais e a população aguardam uma reforma na estrutura prometida pela gestão da cidade, mas que ainda não se efetivou.
Situação também desesperadora foi identificada no PSF Alto da Igreja, que funciona em condições extremas de precariedade e improviso, no Centro Cultural Mestre Dié . O cenário visto na sala de consultório médico distorce a realidade de qualquer ambiente saudável para um atendimento digno da população e de condições de trabalho. A sala está com infiltrações, mofo, entulhos, e pior, sem nenhum indicativo que no local existe uma unidade de saúde instalada.
Para combater a ausência de responsabilidade municipal com a saúde e o desrespeito com o cidadão cabense, os médicos vinculados ao município deliberaram, na assembleia de hoje, que haverá mais um segundo dia de paralisação, que será realizado em 16 de setembro, acompanhando de uma nova AGE no mesmo local (SINTRAC) às 09hs para discutir os rumos da categoria na cidade do Cabo de Santo Agostinho. A pauta inclui pontos como PCCV, Lei de Produtividade, reajuste salarial tendo como base o piso FENAM, concurso público, melhorias de segurança e das estruturas das unidades de saúde (policlínicas, hospitais e postos de saúde), além do cumprimento do Termo de Compromisso – firmado em 2009. Além disso, será mantida a estratégia de reivindicações junto à comunidade.
Sobre o cenário de descaso encontrado pelos médicos hoje, nas unidades de saúde, o presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Sílvio Rodrigues, afirmou que vai encaminhar as denúncias para o Ministério Público estadual e para o Conselho Regional de Medicina. “Nós filmamos e fotografamos tudo. Vamos enviar para o as entidades competentes analisarem a situação. É um local indigno para o profissional de medicina trabalhar. É um péssimo exemplo. Precisamos melhorar as condições, já que não existe uma maca para exames, só tem uma sala de atendimento. É insalubre para os profissionais e para a população que precisa do serviço médico”, ressaltou.
Em relação às manifestações para melhorias na saúde do município cabense, o diretor de Formação Sindical do Simepe, Adilson Morato, comentou a importância da categoria se manter firme na luta para que os benefícios possam ser realizados. “Estamos exercitando a Ética e a Cidadania. Precisamos continuar combatendo essa situação. Vamos seguir com mobilizações e assembleias, visando à melhoria dos serviços prestados a população, que é bem maior e obrigação da Gestão em provê-la”, defendeu.
Enquanto isso, o Simepe e os profissionais aguardam uma resposta da prefeitura, que – até então – tem se mostrada ausente, além de ter sido a única da RMR a não chamar a categoria para negociar melhorias.
Vídeo: TV Movimento Médico
Cabo de Santo Agostinho: Paralisação, Assembleia e vistas as Unidades de Saúde.



