Os participantes da Caravana do Cremepe viram muitas cenas de degradação humana, durante os quatro dias de trabalho na semana passada. Uma delas, em especial, chamou a atenção dos profissionais. Em Bodocó, no Sertão, populares informaram a existência de um caso de cárcere privado. Ao investigar a denúncia, os caravaneiros encontraram um homem preso em uma espécie de cela, no quintal da casa dos pais, por ser deficiente mental. Era a manifestação extrema do quadro de abandono que a saúde mental enfrenta no interior de Pernambuco.
Não existe uma cobertura para tratamento mental, nem para os portadores de transtornos, nem para os que são dependentes químicos. Tivemos esse caso extremo em Bodocó, mas a falta de estrutura para atendimento é generalizada”, avaliou a presidente do Cremepe, Helena Carneiro Leão.
Para o vice-corregedor do Cremepe, André Longo, a saúde mental em Pernambuco vem sendo negligenciada há muitos anos. “Em 2005, denunciamos os altos índices de sofrimento mental da população nos municípios de Itacuruba e Petrolândia. Cidades que tiveram suas sedes deslocadas por causa da instalação de uma barragem no Sertão. Nenhuma providência foi adotada pelo poder público ou pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). O resultado é que seis anos depois, a proporção de habitantes que fazem uso de psicotrópicos só cresceu e permanecem os casos de suicídio”, destacou Longo.
Fonte: JC



