Saúde rende turismo

Polo médico importante nas regiões Nordeste e Norte do país, o Recife vem tentando atrair também os chamados “turistas de saúde” estrangeiros para realizarem procedimentos médicos. A tarefa não é fácil; demanda investimento na melhoria do atendimento dos hospitais e clínicas locais (incluindo a capacitação em língua estrangeira dos profissionais) e atração de mais voos diretos internacionais, além de grande aporte em publicidade no exterior.

“Os hospitais são bons e com qualidade equivalente aos melhores hospitais do mundo. Algo que dificulta é a pouca quantidade de voos diretos para o Recife. Se alguém tem que parar em São Paulo e fazer uma conexão para chegar aqui, essa pessoa vai se tratar em São Paulo. É mais fácil chegar lá e se tratar, por exemplo, num hospital como o Sírio-Libanês”, analisa o consultor norte-americano em saúde profissional Ruben Toral, que está no Recife há uma semana analisando o potencial da capital pernambucana para o turismo de saúde.

Toral participa hoje do evento “Pernambuco na rota do turismo de saúde”, promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham-Recife) e pela Secretaria de Turismo de Pernambuco, na Arcádia Recepções, no bairro de Boa Viagem. Na sua avaliação, o investimento dos hospitais que querem disputar esse mercado de saúde internacional é de médio e longo prazo, numa disputa acirrada com destinos mais baratos e equivalentes em qualidade.

“O Brasil disputa com destinos como a Índia, a Tailândia, as Filipinas, a Malásia e o México. Apenas a Tailândia recebe 1,4 milhão de turistas de saúde por ano, enquanto as Filipinas recebem 450 mil pessoas”, completa Ruben Toral, para quem um país com potencial para o Brasil é Angola, que também fala português. “É mais fácil para os hospitais locais atraírem os clientes da região, que representam 85% do público, com tendência de crescimento, devido ao crescimento econômico de Pernambuco”, analisa o consultor, que destaca a cirurgia plástica entre as especialidades nas quais o Brasil é mais conhecido no mundo.

Segundo dados da Secretaria de Turismo, hoje em dia 7% dos turistas que chegam a Pernambuco vêm para fazer algum tratamento médico e/ou estético. A maioria da região Nordeste e de estados do Norte e do Centro-Oeste. “Estamos consolidando uma estratégia de fomento deste segmento. Acreditamos que existe um potencial que pode ser explorado. Esses visitantes movimentam uma cadeia produtiva importante para o estado”, considera Alberto Feitosa, secretário de Turismo de Pernambuco. Ele reconhece os gargalos para atrair os visitantes estrangeiros, mas acredita que podem ser solucionados. (Juliana Cavalcanti).

Fonte: Diario de Pernambuco

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