Saúde sem remédio

A saúde pública é um bolso furado; gasta-se muito, mal e trata mal a população. Há duas semanas, o governo federal começou a trazer médicos estrangeiros para trabalhar no interior. Já gastou R$ 2,3 milhões dos estimados R$ 40 milhões, do programa Mais médicos. Até agora, porém, praticamente nenhum estrangeiro trabalhou. Os gastos públicos com a saúde, estimados em R$ 97 bilhões, dos quais 45% da União, poderiam ser suficientes, se houvesse critério e correta aplicação. Mas, não são.

Tome-se um exemplo: a recifense rua dos Coelhos, onde fica o Hospital Pedro II, junto com as vizinhas ruas dos Prazeres, do Jasmim e as favelas da área, lembram os caóticos centros urbanos de cidades indianas. Decadentes ônibus procedentes de cidades longínquas disputam o espaço com táxis, motos e ambulâncias de variadas procedências.

Os passageiros são desvalidos pacientes e impacientes acompanhantes atendidos pelo complexo hospitalar recifense. Geralmente vindos de destinos distantes, a grande maioria poderia receber tratamento em seus próprios municípios e ter, pelo menos, atendimento digno. Legalmente, estados e municípios estão obrigados a investir 12% e 15%, respectivamente, de suas receitas na saúde, mas poucos fazem. Nem no interior, nem na capital. Nos últimos dez anos, as duas administrações petistas que se sucederam na capital pernambucana, também ignoraram a lei.

Transporterapia

Enquanto isso, várias cidades do interior – boa parte administrada por médicos – praticam a especialidade desconhecida dos manuais da medicina, embora prioritária para os maus políticos e piores profissionais: a transporterapia. Rendem votos e não os expõem ao expediente no trabalho ou aos riscos comuns à profissão.

Medicina S.A.

O Conselho Administrativo de Defesa do Consumidor-Cade recomendou a condenação de 23 hospitais pela prática de cartel. Segundo as investigações eles fixavam preços de serviços médicos praticados. A condenação também atingiu quatro entidades representativas. Duas operam na Paraíba e duas na Bahia.

Fonte: Coluna Diario Econômico (Aldo Paes Barreto)

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