A culpa não é do atual, ressalte-se previamente, mas a verdade é que, entra governo sai governo, as administradoras dos planos de saúde permanecem absolutas. No fundo, apesar da aparência cordata elas fazem o que querem, como querem e quando querem.
Os beneficiários dos planos individuais celebrados anteriormente a 1999, por exemplo, estão a cada dia mais marginalizados. Pagam mensalidades cada vez mais caras e recebem cada vez menos em troca do que pagam. São muitos os procedimentos médicos modernos, inexistentes na época da contratação do plano, que não estão, é evidente, nos contratos, impondo ao usuário, muitas vezes, despesas adicionais.O reajuste da prestação, no entanto, sempre está previsto.
Agora mesmo, anuncia-se aumento nas mensalidades dos usuários da Golden Cross, Bradesco, Sul América, Amil e Itauseg, o que causará problemas para cerca de quinhentos mil usuários que tais empresas gostariam de fazer desaparecer de suas carteiras.
Pobres usuários… O governo não lhes oferece minimamente aceitáveis serviços de saúde, nem lhe dá proteção contra os poderosos do setor.
No último mês de dezembro, como se tudo já não fosse bastante, denunciou-se via imprensa que os planos, no afã de cortar custos e aumentar lucros, o que é legítimo, restringem os procedimentos médicos, cerceando o pleno exercício da medicina. Deu certo. Em 2010, só para se ter uma ideia do gigantismo, a receita dos planos de saúde montou quase R$ 73 bilhões, valor que supera o orçamento do ministério da Saúde.
A propósito de cerceamento, pesquisa do Datafolha revelou, mês passado, que 92% dos médicos já sofreram interferência dos planos de saúde querendo ditar-lhes a conduta profissional. As pressões, ainda segundo a pesquisa, ocorrem em todos os sentidos, como restrição no número de exames, tempo de internação, prescrição de remédios de alto custo e outras imposições do gênero, chegando até a ameaçar de descredenciamento profissionais que prestam serviços qualificados e recebem pífia remuneração. E em meio a tudo, o desvalido usuário, impotente diante de uma estrutura solidamente fincada na incapacidade governamental de cumprir seus deveres constitucionais.
Já que nossos ex-presidentes não tiveram coragem para enfrentar o problema, espera-se que a primeira mulher a presidir a nação tenha. Reputam-na impaciente, autoritária, biliosa, mas, convenha-se, é fácil ser assim diante dos fracos. Mas como será diante dos fortes?
“Se você quer que algo seja dito, peça a um homem. Se você quer que algo seja feito, peça a uma mulher” – dizem.
*Marcelo Alcoforado



