São José do Belmonte – O último dia da 7ª edição da Caravana Cremepe/Simepe pelo sertão do Estado começou pelo município de São José do Belmonte. Os integrantes da caravana passaram por uma situação constrangedora proporcionada pelo secretário de Saúde do município. Clênio Novaes, que é médico veterinário, não participou dos debates promovidos após a exibição do filme Pela vida… Pelo tempo. Ao chegar ao local do debate só após o término da atividade, o secretário afirmou que “médico faz mal à saúde”. A afirmação foi feita durante uma conversa com o Secretário-geral do Cremepe, Dr. Luiz Domingues, e a Dra. Maria Aléssio, médica fiscal da entidade.
O secretário fez a afirmação no momento em que tentava justificar a péssima situação em que se encontram diversos serviços de saúde do município. A começar pelo atendimento proporcionado à população pela Unidade Mista Auta Magalhães. Os profissionais que atuam na unidade não são capacitados, não há médicos todos os dias, só há enfermeira três dias por semana e o que é pior: os equipamentos da emergência encontram-se espalhados por locais que nem os funcionários sabiam exatamente onde estavam. Desfibrilador, laringoscópio, medicação e os tubos utilizados nos serviços de reanimação não têm o prazer de se encontrar em um mesmo setor da unidade, uma negligência que põe em risco o paciente que precisar de socorro imediato.
O Programa de Saúde da Família (PSF) é outra ação precária em São José do Belmonte. O serviço não tem médico, não há material para curativos, não há capacitação de pessoal realizada na própria cidade, não há local adequado para armazenamento de material pérfuro-cortante e o programa é completamente desterritorializado, sem segmentação ou controle, o que faz com que a população seja atendida de forma espontânea, com qualquer problema, de todo jeito. No debate promovido pela Caravana Cremepe/Simepe não apareceu sequer um agente de saúde para explicar a situação complicada do PSF. Moradores denunciaram que a falta de atenção aos bairros mais pobres tem provocado graves problemas de saúde, como no caso de uma garota de nome Lígia, da Vila Carolina, que contraiu leptospirose e está internada no Hospital Regional de Palmares, Mata Sul do estado.
De acordo com Dr. Luiz Domingues, o debate ainda foi prejudicado pela pouca participação da população local, com informações originadas apenas por integrantes da Secretaria Municipal de Educação. O município conta com 64 escolas municipais e três estaduais, num total de 6.600 alunos. O índice de desemprego é alto, com sua economia dependendo predominantemente da agricultura e da pecuária. Poucos trabalhadores foram contratados para as obras da Ferrovia Transnordestina, que passa próximo à entrada da cidade.



