Depois de intensificar o trabalho dos agentes de endemia, receber ajuda do Exército e dos Bombeiros e investir até em aplicativos para celular, a mais nova arma no combate ao Aedes aegypti é o orgulho cidadão. Imóveis da cidade do Paulista, na Região Metropolitana do Recife, estão recebendo desde ontem um selo de qualidade na prevenção dos focos. A ideia é estimular o controle do vetor da dengue, zika e chikungunya dentro das comunidades, a partir do reconhecimento dos esforços. A princípio, serão distribuídos cerca de 50 mil selos.
Os adesivos com a frase “esta casa combate ao Aedes” são colocados no muro da frente dos imóveis, visível aos pedestres, depois que a equipe de agentes de endemia e agentes comunitários de saúde visitam a casa e comprovam o cuidado dos moradores. “Procuramos uma forma criativa de incentivá-los, pois já estamos batendo nessa tecla há alguns meses. Queremos puxar o orgulho e até uma espécie de concorrência do bem entre os vizinhos nas ações de prevenção”, explicou o superintendente de Vigilância em Saúde de Paulista, Fábio Diogo Silva.
Essa foi também uma forma encontrada pelo município para evitar a distribuição de panfletos, que acabam se tornando lixo e às vezes ajudando a formar novos criadouros. Assim como de reduzir as recusas e imóveis fechados. Paulista teve uma recusa média de 25% nas visitas realizadas neste mês pelos agentes, ou seja, das 21,5 mil casas visitadas, eles não puderam entrar em 5,4 mil. Neste mês, uma lei que permite a entrada de chaveiros diante de residências e terrenos fechados foi aprovada na cidade.
Paulista tem neste ano 821 casos de dengue notificados, com 11 confirmados; 128 casos de chikungunya notificados, dos quais 11 confirmados; além de 37 registros de microcefalia, dos quais 14 confirmados – todos por associação com o zika vírus. Os bairros mais precários no indíce de infestação são Janga, em função da quantidade de casas de veraneio, Jardim Paulista Baixo, onde existe uma UPA, e Paratibe, considerado um bairro de grande extensão. O último LIRAa (índice de infestação pelo mosquito) da cidade foi considerado de médio risco.
O primeiro dia de distribuição dos selos teve saldo positivo. O bairro de Maranguape 1 foi escolhido para o início das atividades. Das cerca de 150 casas visitadas, 80% delas receberam aprovação dos agentes. Uma delas foi a da dona de casa Verônica Barbosa, 60. “É um orgulho, uma prova de que tudo está em ordem. Nossa rua é bem unida, tanto para a realização de festas quanto para o cuidado com o Aedes. A vizinha cobra, eu digo deixa comigo. Uma prova é de que aqui quase ninguém ficou doente”.
Duas casas depois, o aposentado da indústria petroquímica Roberto Barbosa, 66, também recebeu o selo com satisfação. “A gente se preocupa por causa da idade, né, pois sabemos que a doença pode se agravar.” Teve gente pediu aos agentes para receber o adesivo, mas há critério. Se larvas e ovos forem encontrados, o imóvel terá que esperar pelo menos 15 dias para uma nova inspeção. Quem recebeu o selo também precisa ficar atento. Em 45 dias, os agentes fazem nova visita.
Balanço
Zika no Brasil*
- 91,3 mil casos notificados
- 44,7 casos para cada 100 mil habitantes
Por região (números absolutos)
- 35,5 mil casos no Sudeste
- 30,2 mil casos no Nordeste
- 17,5 mil casos no Centro Oeste
- 6,2 mil casos no Norte
- 1,7 mil casos no Sul
Por região (incidência por 100 mil habitantes)
- Centro-Oeste 113,4 casos/100 mil habitantes
- Nordeste 53,5 casos/100 mil habitantes
- Sudeste 41,4 casos/100 mil habitantes
- Norte 36,0 casos/100 mil habitantes
- Sul 6,1 casos/100 mil habitantes
*De fevereiro até o dia 2 de abril
Em Pernambuco
Microcefalia
- 1,8 mil casos notificados
- 334 casos confirmados
Zika vírus
- 8,9 mil notificações
- 23 confirmados
Chikungunya
- 17,7 mil notificações
- 389 casos confirmados
- 12 óbitos
Dengue
- 62,7 mil notificações
- 10 mil confirmações
- 1 óbito
Fonte: Diario de Pernambuco



