De braços cruzados desde a última segunda-feira, os médicos da rede pública do Recife denunciam uma série de descasos por parte do poder público. Entre as reclamações, está a situação dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que tratam dos casos relacionados à saúde mental e à dependência de álcool e outras drogas.
O Caps Professor Luiz Cerqueira, no bairro de Santo Amaro, área central da cidade, ilustra bem a situação. Com pias e janelas quebradas, paredes descascadas, parte do teto desabado, entulhos e lixo espalhado, a unidade teve que ser fechada, por falta de condições de funcionamento.
“Agora, o atendimento é realizado em uma unidade anexa, que apresenta diversos problemas estruturais. Falta tudo. A única coisa que funciona é o material humano. E mesmo assim, os profissionais terminam sobrecarregados, porque o Caps, que deveria ter atendimento voltado para dependência de drogas, crianças e adolescentes, absorveu outras demandas, porque outros centros fecharam”, denuncia Marcus Villander, diretor do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe).
Segundo ele, a prefeitura não deu prazo para a execução da obra de reforma do espaço. Em um ofício destinado à Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), a Sociedade Pernambucana de Psiquiatria (SPP) também citou a
situação do Caps Luiz Cerqueira, que está servindo como campo de práticas para o recém-aprovado Programa de Residência Médica (PRM) em Psiquiatria da Infância e Adolescência (PIA), afirmando que a unidade “encontra-se com estrutura precária, incompatível com a formação de novos profissionais”.
Uma assembleia será realizada amanhã, às 9h, para decidir se o trabalho será retomado na próxima segunda-feira. Desde o início da semana, com a paralisação, estão suspensos os serviços eletivos, os ambulatórios e o atendimento nos postos de Saúde da Família e nos Caps. Continuam funcionando os setores de urgência, emergência e maternidade da rede pública da capital. Procurada na tarde de ontem, a Prefeitura do Recife não se pronunciou sobre o assunto até as 20h30.
Fonte: Jornal do Commercio



