SAÚDE PÚBLICA Em Nova Descoberta, PSF tem sala fechada devido a infiltrações. Em Dois Unidos, só existe um profissional
Mais do que médicos, alguns postos de saúde do Recife clamam por atenção. Da estrutura mais básica, como salas em condições de trabalho, a equipes de saúde completas e insumos. Na Unidade de Saúde da Família (USF) Diógenes Ferreira Cavalcanti, em Nova Descoberta, não faltam médicos, mas a sala do dentista está fechada por causa das infiltrações e do mofo. O branco das paredes está manchado de verde porque o lodo toma conta do teto de várias salas.
Na USF Professor Bianor Teodósio, em Dois Unidos, a preocupação dos usuários é a falta de médicos. Há apenas um profissional para atender a comunidade. “Há mais de quatro meses o médico foi embora porque acabou o contrato, e não colocaram outro. Sou hipertensa e não consigo pegar o remédio sem ter a receita”, explica a dona de casa Lucidalva Cardoso de Barros, 53 anos.
“A situação está péssima. Não podemos ser atendidos em outros postos e não conseguimos consulta aqui, porque é gente demais e a doutora não dá conta”, acrescenta o aposentado Ananias Batista Clemente, 67. Na área externa do espaço, a falta de educação da comunidade contribuiu para a degradação da unidade. “Tem horas que o mau-cheiro é insuportável”, conta a moradora Cosma da Silva, 75. No posto do Alto da Brasileira, em Nova Descoberta, são duas médicas para suprir a demanda da região. Segundo usuários, o problema do local é falta de estrutura. Bastam alguns passos para ouvir o alerta de não encostar em uma das paredes por causa dos choques. O dentista da unidade atende no posto da Guabiraba porque a sala dele está repleta de infiltrações e sem condições de atendimento. “As consultas eram feitas durante um tempo numa escola, enquanto o posto passava por reforma por causa das rachaduras, mas pouca coisa mudou desde lá”, disse a dona de casa Maria Eduarda Lima, 21. “A consulta é boa, mas o espaço deixa a desejar”, opina.
A secretária geral do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Cláudia Beatriz Câmara, explica que a situação das unidades não é isolada. “Além do déficit de recursos humanos, seria necessário contratar em média 20 profissionais para suprir a carência. O quantitativo de prédios alugados é superior à quantidade de espaços próprios”, diz. E as unidades, segundo ela, nem sempre atendem às normas da vigilância sanitária.
Em resposta às críticas, a Secretaria de Saúde do Recife enviou nota informando que a USF Bianor Teodósio está na lista das que serão reformadas. O processo está em licitação. Para completar o quadro, virá um profissional do Mais Médicos, na segunda etapa do programa. A Diógenes Ferreira também está na lista das que serão reformadas. Há duas equipes de saúde da família e uma de saúde bucal. Enquanto a unidade não é reformada, a equipe de saúde bucal está atendendo na USF da Guabiraba.
Fonte: Jornal do Commercio



