Sempre sobra para o cliente

O plano de saúde Hapvida, um dos maiores do Nordeste, é um exemplo de uma nova estratégia adotada pelas empresas de medicina de grupo: investir cada vez mais na rede de hospitais, clínicas e médicos próprios. Além das empresas de medicina de grupo, há cooperativas (Unimed) e, agora, planos de auto-gestão, como o Cassi, dos funcionários do Banco do Brasil. Todos passaram a investir forte na redução de custos. “O único caminho para ter qualidade de gestão é a verticalização”, diz a diretora de Marketing da Hapvida, Simone Varella. Sem ter nada a ver com a forma de gestão das empresas, o consumidor sofre. Se for cliente de algum plano com rede própria, é vítima da ingerência das empresas sobre os médicos. Isso porque, na sua política de diminuição das despesas, os planos restringem o número de profissionais, e no seu lugar contratam os médicos empregados (CLT). Estes, por sua vez, sofrem uma maior pressão dos patrões.

“O custo médio num hospital ou ambulatório próprio é mais baixo do que um serviço terceirizado. Mas essa redução de custos pode trazer prejuízo ao paciente na medida em que o médico tem uma pressão para restringir o número de exames e procedimentos, além de medicamentos que serão utilizados. O investimento em tecnologias mais modernas também é prejudicado”, critica o diretor financeiro da Associação Médica Brasileira (AMB), Florisval Meinão. Simone Varella discorda. “Temos 1 milhão de usuários no Brasil e 20 hospitais, alguns com estruturas com o que há de mais moderno em equipamentos. Conseguimos oferecer um produto bacana por preço pequeno, por conta da capilaridade e do poder de negociação”.

Cliente da Hapvida, a engenheira Marcele da Silva não aceita o argumento de Simone. “Fica mais barato para eles”, esbraveja a engenheira Marcelle da Silva, que não teve uma boa experiência com o plano. Seu pai é cliente do Santa Clara (comprado pelo Hapvida) há mais de 15 anos. Marcele afirma que preferia quando o plano quando tinha uma rede exclusivamente credenciada. “Piorou muito, pois você fica refém de uma só empresa. Ficamos sem poder de escolha, sem poder escolher o médico e o hospital”, reclama.

Mas os clientes de planos com redes credenciadas também sofrem. E muito. Dependendo da especialidade, as consultas têm grandes filas de espera e muitas vezes internações só são garantidas pela Justiça.

Fonte: JC

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