Desde o mês passado, em todas as tardes de sexta-feira, o ambulatório de Doenças Infecciosas do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), em Santo Amaro, área central do Recife, tem horário exclusivo para adolescentes com o vírus da aids. A ideia é no futuro construir um espaço físico destinado somente a eles, garantindo serviço diferenciado, como a idade requer. Nessa faixa de idade vem crescendo o registro anual de novos casos, atribuídos ao início da vida sexual sem uso de preservativo. No ano passado foram 45 pessoas de 10 a 19 anos, dez a mais que em 2013. Dados parciais de 2014 apontam 31 notificações.
O serviço especial, em montagem pela equipe do Huoc, é voltado também para os egressos da pediatria, meninos e meninas que já nasceram com o HIV e agora estão chegando à juventude.
“Nesse momento de mudança e autonomia é preciso trabalhar a adesão ao tratamento”, explica a médica Regina Coeli, que acompanha pacientes infectados desde a infância e decidiu criar o horário diferenciado para os adolescentes. Ela adianta que a proposta é garantir a consulta individualizada e, futuramente, fazer trabalhos em grupo com aqueles que aceitarem dividir experiência.
O serviço tem médica e psicóloga. Uma enfermeira está sendo reivindicada para atuar também nesse horário, fazendo o acolhimento dos jovens. “É uma idade peculiar, há um turbilhão de emoções num momento de autoafirmação”, completa a psicóloga Myrian Azoubel, parceira no projeto. Com duas décadas de experiência no atendimento a adultos com aids, ela sabe que adolescer é também querer ultrapassar limites, como fazer sexo sem camisinha, aventurar-se ao uso de drogas e álcool, submetendo-se aos riscos. “É o que chamamos de fantasma da invulnerabilidade e mito da invencibilidade.” Até o momento, a forma mais eficaz de conter a replicação do vírus e manter o bem-estar é usar os remédios e se proteger de nova infecção. Daí a importância de convencer os jovens a não descuidarem do sexo seguro.
Trabalhar a responsabilidade, a autoestima e a perspectiva de desenvolvimento estão na pauta da equipe do Huoc. Muitos dos que usam o serviço apresentam problemas sociais (condição econômica, dificuldade de acesso a bens básicos em razão do lugar de moradia).
Por enquanto o atendimento é feito no prédio do ambulatório infantil de doenças infecciosas. Há projeto anterior de construção de um pavimento superior. Organizadores do novo espaço sonham com salas exclusivas, decoradas para o público juvenil e com direito a práticas extras, como dança, teatro e outras atividades. Estão em busca de parceiros.
Adolescentes podem agendar consulta indo ao local (ambulatórios de adultos e de crianças de doenças infecciosas).
Fonte: Jornal do Commercio



