Simepe critica a Proposta de Emenda Constitucional que trata da reforma da Previdência (PEC 287/2016)

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) vem a público manifestar-se de forma crítica em relação à Proposta de Emenda Constitucional que trata da reforma da Previdência (PEC 287/2016) em tramitação na Câmara dos  Deputados, e preocupado com a questão que, nesse momento está sob análise em comissão especial na Câmara dos Deputados; fixa idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de homens e mulheres.

O projeto também eleva o tempo mínimo de contribuição de 15 anos para 25 anos. Para se aposentar com 100% do salário, será preciso contribuir por pelo menos 49 anos. Com regras de transição para homens com mais de 50 anos e mulheres com mais de 45 anos, as regras valem para o setor público e privado.

 Entendemos que algumas propostas são desconexas e injustas, como por exemplo, a extinção da fim da aposentadoria especial, prejudicando de forma irremediável o médico que exerce suas atividades profissionais sob o risco constante para sua saúde

O Simepe subscreve o texto da Federação Médica Brasileira (FMB), através do Conselho Deliberativo, reunido na cidade de São Paulo na semana passada:

“Compreendendo  que, de fato, a manutenção eficaz dos sistemas de previdência pressupõe adequações a fim de equacionar e equilibrar receitas e despesas, a Federação Médica Brasileira entende que a sociedade precisa debruçar-se sobre este tema e sugere atenção especial no que tange às questões que afetam os direitos dos trabalhadores, a saber:

Algumas proposições são inadequadas e injustas, como a decretação do fim da aposentadoria especial, afetando o médico que é uma das categorias profissionais que exerce suas atividades comprovadamente em risco constante para sua saúde;

Exigência de idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, tendo em vista que não há como ignorar a expressiva carga horária a que estão submetidos os trabalhadores brasileiros, em especial as mulheres, bem como a não uniformidade da expectativa de vida da população nas diferentes regiões do país;

A vedação da cumulação de pensão com aposentadorias vai gerar grandes injustiças sociais considerando que muitos brasileiros programaram seu futuro financeiro levando em conta as regras atualmente existentes;

A concessão de aposentadoria por invalidez somente quando insuscetível de readaptação noutro cargo e com 100% da média apenas para os casos de acidente de trabalho, excluindo, assim, os casos de doenças graves é injusta e perversa.

A criação de regras de transição com base exclusivamente na faixa etária, desconsiderando o tempo de contribuição é injusta. A exigência de 49 anos de contribuição para o recebimento de aposentadoria integral e redução do valor geral das aposentadorias torna inalcançável o benefício integral de 100%.

Com o exposto, a Federação Médica Brasileira apresenta as seguintes proposições como alternativa ao texto original do projeto, bem como iniciativas que gerariam maior arrecadação para a seguridade social:

                 – Extinção da Desvinculação de Receitas da União (DRU) no orçamento da Seguridade Social;

                – Regulamentar adequadamente as isenções fiscais de modo a exigir a efetiva contrapartida social;

            – Tolerância zero com a inadimplência, criando mecanismos eficazes de cobrança efetiva das contribuições destinadas ao custeio da seguridade, estancando a sangria da sonegação e endurecendo as regras para penalizar os devedores;

                – Inclusão de todos os outros trabalhadores não abrangidos no texto originário da reforma, sem distinção de categoria.

                – Aparelhar melhor os agentes públicos que atuam na cobrança dos devedores da previdência para que bem possam cumprir o seu papel constitucional

                 Por fim, a Federação Médica Brasileira orienta os sindicatos de base e os médicos brasileiros para que participem ativamente do processo e busquem levar aos parlamentares de seus estados e à sociedade, as preocupações aqui externadas e, sobretudo contrárias a muitos pontos da proposta da forma que foi apresentada para votação no Congresso.

São Paulo, 17 de março de 2017.

Waldir Araújo Cardoso

Presidente – FMB

 

 

 

 

 

 

 

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