
Na manhã desta quinta-feira (21), representantes do Sindicato dos Médicos (Simepe) e do Conselho Regional de Medicina (Cremepe) visitaram as instalações do curso de medicina do Campus da Universidade de Pernambuco (UPE) e do Hospital Regional Dom Moura (HRDM) em Garanhuns, Agreste do Estado. Na faculdade, os médicos comprovaram as denúncias feitas pelos alunos que exigem que a estrutura prometida pelo governo estadual funcione.
A primeira turma, que só agora cumpre o segundo semestre, enfrenta falta de professores, de material, laboratórios e peças anatômicas para o estudo das disciplinas necessárias. Há improvisação nas áreas de Psicologia e Informática. A área externa onde funcionaria o Campus está completamente abandonada. Vale lembrar que os alunos, que compõem o segundo período do curso, estão em greve desde o dia 28 de maio e reivindicam melhorias. A decisão de paralisação é compartilhada pela imensa maioria da turma. Dos 39 estudantes, 33 aderiram ao movimento grevista e permanecem negando-se à comparecer às aulas, perdendo, inclusive, provas. O hospital-escola também não existe. O clima entre os alunos é de indignação e desconfiança.
Por volta das 10h30, os médicos do Simepe e Cremepe acompanhados pelo promotor público, Alexandre Bezerra, foram fiscalizar as condições de trabalho e de funcionamento do HRDM, apontado como referência de assistência médica da região. Na área de estacionamento, os estudantes exibiram faixas de protesto contra o descaso e morosidade da UPE para resolver a problemática. Em verdade, o hospital tem uma área extensa, mas não possui estrutura suficiente para atender aos estudantes. Nem mesmo os médicos que trabalham na unidade de saúde estadual, segundo os alunos, teriam condições de orientar os discentes, visto que eles exercem suas atividades exclusivamente ao atendimento da população. As ambulâncias dos municípios de São João, Correntes, Capoeiras, Saloá, Terezinha, Brejão, Jucati e Caetés foram vistas, com vários pacientes na emergência e maternidade do hospital.
Deficiências comprovadas
Ao final das atividades, o presidente do Simepe, Mário Jorge Lobo, afirmou que as deficiências foram constatadas tanto na faculdade como no hospital. Ele defendeu que a luta deve ter como pauta principal a qualidade do curso de medicina em Garanhuns e a garantia de uma política pública de adequação de recursos financeiros , além da realização imediata de concurso público para professores e profissionais de saúde, visando suprir as deficiências existentes. Para Mário Jorge, o governo estadual precisa tomar uma decisão política e evitar um vexame, principalmente, no curso de medicina da UPE. Veja a reportagem completa em nosso portal: www.simepe.org.br
Para o conselheiro do Cremepe, Roberto Tenório, a estrutura do HRDM é antiga, deficiente e falta capacitação dos profissionais. “Existem problemas nas escalas médicas de plantão, faltam ainda equipamentos e recursos humanos. Mas, o que mais nos preocupa é a reforma do bloco cirúrgico que o hospital vai enfrentar nos próximos meses. Com certeza será uma fase crítica que precisa da colaboração de todos, inclusive das prefeituras vizinhas que utilizam os serviços do Dom Moura”, alertou. O parecer do relatório da fiscalização será avaliado e discutido pela diretoria do Cremepe.
As entidades médicas solicitaram uma reunião emergencial na próxima semana, com o reitor da UPE, Carlos Calado e, outra com o secretário estadual de Saúde, Antônio Figueira, em busca de soluções para a crise do curso de medicina e do hospital, ambos em Garanhuns. Enquanto, isso o movimento grevista vai continuar, garante os estudantes de medicina de Garanhuns.
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