Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) deve acionar, nesta quarta-feira (26), o Ministério Público e a Secretaria Estadual de Saúde cobrando providências para a situação de abandono encontrada no Hospital Psiquiátrico Ulysses Pernambucano, localizado no bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife. Representantes do órgão estiveram, na ultima terça-feira (25), na unidade para apurar a violência sofrida por uma funcionária. Segundo a denúncia, a assistente social, que prefere não se identificar, foi agredida com um soco no rosto por um dos pacientes que aguardava atendimento, sofrendo fraturas. Além das falhas estruturais, a entidade aponta a ausência de agentes de segurança e a sobrecarga nas escalas de trabalho, fatores que representam um risco a toda a população.
Para o vice-presidente Tadeu Calheiros, a situação é considerada fora de controle. “Os terceirizados cruzaram os braços pela falta de pagamento e os corredores ficaram cada vez mais amontoados. A maioria dos pacientes é suscetível a surtos ou quadros de agressividade, mas isto vem sendo simplesmente desconsiderado”, ressaltou. Segundo ele, a mulher transitava pela área de atendimento quando foi golpeada, sem haver chance de defesa. Ela teve uma fratura severa no nariz e foi assistida pela equipe médica da própria unidade de saúde. “A saúde pública em Pernambuco tem enfrentado um cenário de caos, sendo necessárias medidas urgentes”, advertiu Calheiros.
As falhas do HUP, única emergência do segmento no Estado, vem sendo acompanhadas de perto, desde o início do ano. Os apontamentos são de precariedade nas instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias. Os sanitários não possuem portas e dejetos são despejados ao longo dos corredores. Já as infiltrações se proliferam nas paredes, representando alagamentos nas áreas internas e externas. “O cenário é de condições subhumanas, não havendo mínimas condições de higiene e dignidade”, disparou Tadeu. Conforme já mostrado pela Folha, uma proliferação de gatos também é registrada no hospital. Os animais circulam livremente, sem qualquer ação que evite um possível foco de doenças e microrganismos contaminantes.
O relatório, conforme o Simepe, também identificou mofo nas paredes; pavilhões com fios expostos e consultórios e salas de triagem funcionando em meio a muita sujeira. Procurada pela Folha, a direção do Hospital Ulysses Pernambucano informou que o incidente não possui relação com a questão de segurança na unidade. Conforme o posicionamento, o caso envolveu uma paciente em crise psicótica, já medicada e contida. A chefia ressaltou, ainda, que mesmo com o serviço de segurança, o episódio não poderia ter sido evitado, já que vigilantes não atuam nesta relação direta entre médicos, assistentes sociais e pacientes. Sobre os vigilantes, a SES assegurou que os pagamentos junto à empresa terceirizada já estão sendo regularizados.
Fonte: Folha de Pernambuco



