Sinal de alerta para a febre amarela

A morte de Luan Lima Marchi, um jovem de 22 anos que faleceu depois de contrair febre amarela, reacendeu o alerta sobre a doença no Brasil. Esse foi o segundo caso de infecção neste ano, ambos na cidade de Alto Paraíso (GO), enquanto em todo o ano passado houve apenas um registro. Um turista belga também teve a doença diagnosticada após circular pela região. Em sua forma mais grave, a enfermidade tem taxa de mortalidade de até 50% dos pacientes infectados.

A febre amarela é uma doença viral transmitida através da picada dos Haemogogus e Sabethes, espécimes silvestres que vivem nas matas próximas a cursos d’água e não sobrevivem em ambiente urbano. No passado, a doença já foi epidêmica, uma vez que também pode ser transmitida pelo mosquito da dengue, o Aedes aegypti, que se adapta ao habitat das cidades. Mas, com a descoberta da vacina, a versão urbana foi extinta em 1942. O vírus silvestre, no entanto, é difícil de eliminar, já que há espécies de macacos suscetíveis à enfermidade, que mantêm o ciclo da doença com os mosquitos transmissores.

Focos da doença estão presentes em áreas florestais de todas as regiões do país, principalmente no Norte e no Centro-Oeste. De acordo com o Ministério da Saúde, há um aumento cíclico no número de casos de febre amarela, em intervalos que variam muito, mas com tempo aproximado de 5 anos. “As causas dessa variação ainda não são completamente entendidas, com influência, por exemplo, de fatores climáticos e da circulação de animais nas florestas em que o vírus circula”, informou o diretor de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch. “Como os estudos não são conclusivos, não é possível saber se a seca dos últimos dois anos tem efeito ampliador ou diminuidor nos riscos de contaminação”, completou.

O último ciclo em que houve um grande número de casos de febre amarela no Brasil foi entre 2008 e 2009, quando foram registrados 93 doentes, dos quais 50 morreram. Para saber os períodos em que a enfermidade tem maior propensão a se espalhar, é observada a população de macacos nos locais onde há focos do vírus. “No ano passado, alguns morreram por febre amarela no norte de Goiás e no sul de Tocantins, justamente a área em que foram registrados os novos casos”, disse.

A maior preocupação das autoridades sanitárias, portanto, é imunizar a população que vive próxima a áreas florestais. De acordo com o secretário municipal de Saúde de Alto Paraíso, Alexandre Araújo, ambos os contágios teriam ocorrido em janeiro, quando muitos turistas vão à cidade goiana, famosa por suas cachoeiras e trilhas naturais. O último caso de contágio no município havia ocorrido no ano 2000.

Os dois homens infectados não teriam sido vacinados contra a doença. Por isso, houve uma grande mobilização para que a população da cidade fosse imunizada, e mais de 3 mil pessoas receberam a dose a partir do dia 8 deste mês. “A cidade ainda vai continuar em alerta vermelho contra a febre amarela por pelo menos mais duas semanas”, assegurou.

Fonte: Diario de Pernambuco

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