Representantes de trabalhadores do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco criticam a implantação do ponto eletrônico obrigatório e questionam as realizações da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalres (Ebserh). “Minguaram os recursos do hospital para justificar a adesão à empresa. E pelo que temos acompanhado são poucas as melhorias, dirigidas mais ao campo estrutural. No aspecto funcional, os problemas permanecem, chega a faltar dipirona, antibiótico e coletor de urina para exames”, avalia Tadeu Calheiros, vice-presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco.
Segundo ele, na próxima quarta-feira o Conselho Regional de Medicina e o sindicato devem promover uma discussão sobre o estado do hospital e as mudanças em curso para o controle do ponto. “Orientamos os concursados da Ebserh e os servidores estatutários a não aderirem ao ponto eletrônico. Não somos contra a aferição da jornada de trabalho, mas é preciso considerar as especificidades da área de saúde. Como um plantonista que larga às 19h vai bater o ponto se ele ainda estiver realizando uma operação no bloco cirúrgico? Se ele dobrar o plantão vai receber hora extra? Há muitas lacunas”, considerou, lembrando a ausência de Convenção Coletiva de Trabalho na relação entre a Ebserh e os seus empregados.
O Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais (Sintufepe) orienta a classe a não aderir ao ponto. Paulo de Tarso, servidor da universidade, afirma que as mudanças são apenas na aparência externa do hospital. Com a entrada da Ebserh, segundo ele, antigos funcionários foram removidos de setores sem opção de escolha e a maioria dos setores da unidade continua com problemas, que vão do mau cheiro do fosso do elevador à falta de materiais. Washington Batista, do movimento sindical lembra que o investimento poderia ser feito pela administração direta.
Edileuza Maria da Silva, representante de usuários no Conselho de Saúde do Recife, avalia que o HC ainda tem problemas. “A comunidade reclama de dificuldades na marcação de consultas. Não sou contra a terceirização, mas é preciso garantir o controle social por trabalhadores e pacientes. O hospital não tem conselho gestor”, observa.



