CASO ARTUR Após assassinato de médico, postagem no Facebook dizia que “se foi erro médico, tinha que matar mesmo”. Entidade da categoria prestou queixa à polícia
Uma postagem ofensiva no Facebook, relacionada ao assassinato do médico Artur Eugênio de Azevedo Pereira, levou o Sindicato do Médicos de Pernambuco (Simepe) a formalizar uma denúncia de incitação à violência e apologia ao crime, quinta-feira, na Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos. No post (salvo por alguns médicos antes de sair do ar), a autora escreve: “se foi erro médico, tinha que matar mesmo. É inadmissível erro médico. Que sirva de lição para esse bando de médicos metidos a Dr. House (personagem de série de TV) que atende em hospitais públicos dando uma de celebridade, de narizinho em pé.”
O post despertou uma onda de indignação entre os médicos. “Eles se sentiram ofendidos, mas também ameaçados”, diz o vice-presidente do Simepe, Tadeu Calheiros, que protocolou a denúncia. “Não podemos tolerar que pessoas ataquem a honra de uma categoria inteira.” Calheiros garante que o sindicato vai acompanhar de perto o andamento do processo e cobrar resultados. “Não bastasse o choque com o assassinato de um colega, ainda temos que aturar desrespeito à memória dele?”, desabafa. O post foi retirado da rede social logo depois que começou a gerar comentários.
Enquanto o Simepe cobra a apuração de mais um crime, o Hospital de Câncer de Pernambuco prepara uma homenagem para o médico Artur Azevedo, encontrado morto com quatro tiros, às margens da BR-101, em Jaboatão, na última segunda-feira. Na próxima terça, às 10h30, será celebrada uma missa em homenagem a ele, na capela do HCP. Os convidados vão vestir roupas brancas para pedir justiça e orar pelo fim da violência no Estado.
Um médico que não quis se identificar informou que familiares e amigos da vítima decidiram se manter distanciados da investigação policial para não atrapalhar. “Como não temos acesso às informações oficiais, preferimos fugir das especulações”, comentou. Segundo ele, a estratégia para cobrar justiça é manter o caso em evidência, promovendo homenagens como essa, no HCP. Médicos com perfil no Facebook também estão colocando fotos, usando um estetoscópio com a palavra “luto” em cima. “Estamos vigilantes. Não vamos deixar o caso ser esquecido”, garantiu o colega da vítima.
Natural da Paraíba, Artur Azevedo, 36 anos, era cirurgião torácico e atuava no HCP, Hospital das Clínicas, Imip e Hospital Português. O Disque-Denúncia está oferecendo recompensa de R$ 10 mil a quem oferecer pista que leve ao autor do crime. Até ontem, já tinha recebido 14 informações. O caso está sendo investigado pelo delegado Guilherme Caraciolo, da 1ª Divisão de Homicídios de Jaboatão.
Fonte: Jornal do Commercio



