Sistema de saúde público x privado

No papel, o Sistema Único de Saúde é o modelo ideal de assistência, comparado aos países mais desenvolvidos. A porta, em tese, está aberta para 190 milhões de brasileiros. Inclui 48 milhões de usuários de planos de saúde (25,1% da população) que têm acesso aos serviços públicos. Os governos (União, estados e municípios) gastaram R$ 168 bilhões para financiar as despesas com consultas e tratamentos médicos em 2012. Ao mesmo tempo, as operadoras desembolsaram R$ 79,8 bilhões com a assistência dos clientes na rede privada. Não precisa dominar a matemática para ver que a saúde pública tem menos dinheiro para gastar com um número maior de pessoas.

Os resultados da falta de dinheiro são os gargalos já conhecidos. Se transformam na via crúcis de milhares de brasileiros espremidos nas filas das Unidade de Pronto Atendimento (UPAs) e policlínicas, dos hospitais públicos e postos de saúde. Marcos Vinícius de Oliveira, 10, é diabético. A família descobriu a doença há um ano. Passou primeiro pelo posto de saúde de Catende, Zona da Mata. A parada seguinte foi o hospital de Palmares. De lá, foi para o Instituto Materno Infantil (Imip) e ficou internado oito dias.

A última parada foi o Hospital Agamenon Magalhães, no Recife. Encontramos Marcos com a mãe, Alcineide de Oliveira, 39, às 11 horas, no ambulatório da unidade. “A gente sai de casa às 2h da manhã para pegar a condução da prefeitura. De dois em dois meses eu passo o dia todo aqui para ele fazer os exames de sangue. Só chego em casa às 9h da noite.” O menino toma quatro doses de insulina por dia. Cada uma custa R$ 600. “Quando falta no SUS, ele fica sem tomar”, desabafa ela.

No outro lado da cidade, a professora Sandra de Carvalho, 45, espera atendimento numa unidade de saúde privada. Ela tem plano de saúde há 10 anos. Paga R$ 450 por mês e mais R$ 190 do plano da filha, de 2 anos. Sandra procurou a emergência de um hospital privado com sintoma de alergia nas mãos. “Às vezes é díficil marcar consultas e exames no plano. Eles fazem muitas exigências. Já teve uma vez em que eu estava na mesa de exame e o plano negou”, diz, indignada. Outra dificuldade apontada é o descredenciamento dos médicos conveniados. “Mesmo assim, acho que vale a pena pagar, porque o atendimento público está pior.”

Saiba mais

Sistema Público de acesso universal

Forma de financiamento
Tributos

Forma de acesso
Universal

Condição de acesso
Universal

Prestação de serviços
Pública e/ou privada

Organização
Pública

Países
Suécia, Inglaterra, Itália, Portugal e Espanha

Sistema de Seguro Social

Forma de financiamento
Contribuição sobre as folhas de pagamento das empresas

Forma de acesso
Múltiplo, de acordo com as categorias profissionais

Condição de acesso
Benefício corresponde às contribuições pagas

Prestação de serviços
Pública e/ou privada

Organização
Semi-pública

Países
Alemanha, França, Argentina e Japão

Sistema Privado

Forma de financiamento
Privado

Forma de acesso
Individual

Condição de acesso
Pagamento pelo serviço

Prestação de serviços
Privada

Organização
Privada

Países
Estados Unidos, Nova Zelândia e Suíça

Fontes – ANS, Conass, Ipea

Fonte: Diario de Pernambuco

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