Os Governos de Pernambuco e do Recife decretaram, ontem, situação de emergência por 180 dias para garantir mais celeridade no combate ao Aedes aegypti, que é o causador da epidemia de dengue e do aumento nos casos da zika e do chikungunya. A decisão começa a valer na próxima terça-feira, com a publicação no Diário Oficial. A atitude está sendo tomada logo após o Ministério da Saúde confirmar a relação entre o zika vírus e o surto de microcefalia na região Nordeste, como antecipado pela Folha de Pernambuco na semana passada. Até o último dia 27, foram registrados no Estado 487 casos de microcefalia. Em todo o País, esse número chegou a 741 casos suspeitos, distribuídos em nove estados brasileiros. Na prática, a medida serve
GESTÕES
públicas não precisarão de licitação para acessar crédito e combater o mosquito para adotar ações emergências com o objetivo de diminuir os efeitos epidemiológicos. As gestões públicas terão mais liberdade para acessar crédito para usar em medicamentos, equipamentos e contratar funcionários temporários para combater o mosquito, sem precisar de licitação. Para o governador Paulo Câmara, é preciso parceria entre poder público e a sociedade para superar “essa que é a pior crise da Saúde no Brasil”. As ações de combate ao mosquito Aedes aegypti vão ser redobradas imediatamente, já que é no início do ano que ele tem maior proliferação. “Vamos fazer tudo o que for necessário, no âmbito do Governo do Estado, para que o quadro de 2014 e 2015 não se repita em 2016. Precisamos da união do Poder Público e da sociedade civil”, disse Paulo Câmara. Com a situação de emergência, as Secretaria de Saúde do Recife e de Pernambuco foram designadas como coordenadoras de todas as ações relativas à questão. Para o infectologista e membro do Comitê Técnico do Ministério da Saúde para Dengue e Arboviroses, Carlos Brito, a decisão do Estado e do Recife é positiva. “É importante. O Governo Federal já tinha feito esse decreto (em 11 de novembro) e isso facilitou algumas ações. É uma atitude necessária porque gera celeridade nas providências e permite que os investimentos sejam feitos de forma rápida. Foi após isso que se fortaleceu a investigação que apontou o zika vírus com um dos responsáveis pela microcefalia”, disse. Além de ser um dos responsáveis pelo aumento de casos de microcefalia, o zika vírus já provocou a morte de duas pessoas no Brasil. Na última sexta-feira, foram confirmados os óbitos pela doença. O primeiro foi de um homem em tratamento para lúpus, no estado do Maranhão. O segundo foi de uma adolescente de 16 anos, no Pará. Por isso a Prefeitura do Recife oficializou a Força Tarefa de Enfrentamento ao Aedes aegypti na Capital e colocou todos os órgãos e entidades públicas no enfrentamento da situação de emergência. “O poder público não pode medir esforços diante de uma situação dessa gravidade. Vamos fazer tudo aquilo que estiver ao nosso alcance e trazer a população para enfrentarmos juntos essa luta”, afirmou o prefeito Geraldo Julio.
Um plano para enfrentar o Aedes
Vai ser lançado hoje, em Gravatá, no Agreste de Pernambuco, o Plano Estadual de Enfrentamento das Doenças Transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, chikungunya e zika, que causa a microcefalia. Vão estar presentes ao evento prefeitos, secretários municipais de Saúde e os ministros Marcelo Castro (Saúde) e Gilberto Occhi (Integração Nacional), além do secretário nacional de Defesa Civil, general Adriano Pereira Júnior. Todos vão discutir ações de enfretamento ao vetor. Só após a discussão, que acontece no Hotel Canarius às 16h, é que será lançado o Plano de Enfrentamento das Doenças Transmitidas pelo Aedes Aegypti. O documento já foi estruturado pelo Estado e será ampliado com as contribuições das pessoas que participarão do encontro. A reunião irá discutir também o aumento dos casos de microcefalia em Pernambuco, que pode estar relacionado com a incidência do Zika Vírus no Brasil. Em entrevista ao Canal Livre, da Band, ontem à noite, Paulo Câmara disse acreditar que alguns estados estão deixando de registrar casos de microcefalia por falta de vigilância adequada. O governador de Pernambuco disse ainda que o vírus zika, um dos causadores da microcefalia, já atingiu 18 estados e não vai demorar a chegar aos demais. “Nós tivemos uma vigilância mais rápida e eficiente. É preciso atacar”, disse. No entendimento do chefe do Poder Executivo, ocorreu um “relaxamento” do poder público e da sociedade com o Aedes Aegypti. Na avaliação de Câmara, com a crise econômica, iniciada ainda em 2014, os cortes nas despesas terminaram também por atingir a saúde pública e o problema se agravou. Paulo Câmara chamou a sociedade a participar de um mutirão. Todos devem reforçar a vigilância dentro de casa para ajudar a combater o mosquito causador do mal. “Nós estamos escrevendo a história de uma nova doença no Brasil”, disse, pedindo união e colaboração da população com os agentes públicos. “Nossa preocupação é o aumento desse problema a partir de janeiro (após a chegada oficial do verão)”, frisou o governador.
Fonte: Folha de Pernambuco



