Superlotação e falta de estrutura no HGV

Pacientes e servidores do Hospital Getúlio Vargas, no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife, denunciam superlotação e falta de estrutura na emergência da unidade de saúde. De acordo com os relatos, doentes que deveriam passar por processos cirúrgicos ou receber atenção especial nas enfermarias encontram-se no chão dos corredores do hospital, à espera de atendimento. Mas a equipe médica está reduzida e faltam medicamentos e produtos para curativos.

Sem se identificar, com medo de represálias, uma auxiliar de enfermagem que trabalha na emergência contou que, apesar do caos que se estabeleceu no HGV, os servidores estão sendo cobrados para prestar serviço “com o máximo de qualidade”. “O hospital busca a Acreditação (certificação internacional semelhante ao ISO, exclusiva para unidades de saúde) e por isso cobra da gente, mas não oferece estrutura de trabalho. Além disso, estamos sobrecarregados porque os salários são baixos e há carência de profissionais. Fazemos plantões extras para ganhar um pouco mais”, denunciou.

Moradora de Pombos, município da Zona da Mata, a professora Gilvanete Ferraz acompanha o marido, portador de leucemia crônica, no Getúlio Vargas desde o último sábado. “Ele está entre o Hemope e o Getúlio, mas em nenhuma das duas unidades há vagas. Ficamos, então, de um lugar para o outro durante toda a semana. No HGV a situação é preocupante porque há muitos pacientes pelos corredores. Eu adquiri uma virose dentro do hospital e tenho medo que meu marido também seja contaminado, pois está muito vulnerável, precisa de quimioterapia”, afirmou.

De acordo com Carlos Freitas, ouvidor da Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps), o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) notificou a Secretaria de Saúde (SES) e pediu remoção do paciente, em caráter de urgência, para o Hemope ou para algum hospital particular que ofereça estrutura para tratamento adequado. “A situação do Getúlio Vargas é crítica. Mau exemplo, de desrespeito à população. O Estado, infelizmente, continua sem cumprir obrigações básicas”, lamentou. Procurada pelo JC na noite de ontem, a assessoria de comunicação da SES estava com o celular desligado.

Fonte: Jornal do Commercio

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