ARAPIRACA – Há uma semana, Camila, de três anos, está com diarreia. As dores e o sangue fizeram a mãe procurar o Hospital Regional de Arapiraca, a 125 km de Maceió. “Doía demais. Aí a gente procurou, ela recebeu o remédio e vai melhorar”, disse a dona de casa Luzinira Maria da Conceição, mãe de Camila. A preocupação tem motivos: a diarreia já matou, em Alagoas, 47 pessoas. Em 27 cidades alagoanas, é tratada como epidemia pela Secretaria Estadual de Saúde. Outros 40 municípios estão em alerta.
Segundo o Ministério Público Estadual, a maioria dos casos acontece em cidades no entorno de Arapiraca. O pico da doença foi entre 15 de maio e o final do mês de junho. No Hospital Regional, metade dos atendimentos diários era por causa da doença. “Agora, está tudo tranquilo porque as pessoas recebem orientação. As pessoas chegavam aqui agoniadas com os sintomas e pelo que viam na TV tinham medo”, disse o médico Ulisses Pereira.
Promotores do interior de Alagoas se reuniram na quinta-feira em Arapiraca para discutir o que o Ministério Público Estadual pode fazer nos casos. Os promotores vão agir em conjunto com os secretários municipais de saúde, fiscalizando o uso dos recursos públicos.
“Não existe ainda uma causa da diarreia. Acreditamos em alguns fatores, como a água distribuída em caminhões-pipa. Esta água é distribuída sem análise”, explicou a promotora do Núcleo da Saúde do MP, Micheline Tenório. Para ela, a seca pode ajudar a explicar o grande número de mortes. Segundo o Governo Federal, esta é a pior seca no sertão nordestino nos últimos 50 anos.
O calor forte evapora ainda mais rápido a água em açudes e barreiros, onde o líquido é misturado na lama. As cisternas também podem ser foco de disseminação da diarreia. E a falta de água é constante não só no sertão. Arapiraca é uma cidade do agreste e na sede do MP, onde acontecia a reunião, as torneiras estavam secas.
Em Alagoas, as autoridades descartam um surto de cólera, doença erradicada no Brasil desde a década de 90. “Nossa preocupação é orientar. Alguns casos da diarreia estão entre crianças de um a dez anos de idade ou pessoas mais velhas. Acreditamos que ações mais pragmáticas trarão mais conforto para a população, disse o procurador de Justiça, Geraldo Majella.
Fonte: Jornal do Commercio



