Só seis cidades no País alcançaram nota acima de 8 em indicador criado pelo governo para avaliar o sistema. Média nacional foi 5,47
BRASÍLIA – Apenas 0,1% dos municípios brasileiros conseguiram alcançar nota superior a 8 em um novo indicador criado pelo Ministério da Saúde (MS) para avaliar o Sistema Único de Saúde (SUS), o Índice de Desempenho do SUS (Idsus). De uma escala que vai de 0 a 10, apenas seis cidades – quatro delas na Região Sul e duas no Sudeste – receberam a classificação máxima. A média brasileira foi de 5,47.
“O índice nacional mostra claramente que o acesso e a qualidade são os grandes desafios do SUS”, afirmou o ministro Alexandre Padilha. Técnicos do MS afirmaram que a média 7 teria sido considerada aceitável para o País. Padilha, no entanto, preferiu não fazer uma análise crítica sobre a nota. O novo índice, segundo ele, representa um instrumento para que administradores identifiquem as fragilidades e corrijam os problemas.
O indicador foi feito a partir do desempenho alcançado pelas cidades em 24 quesitos, como número de equipes de saúde da família, média de consultas durante o pré-natal e mortalidade de menores de 15 anos nas UTIs. Eles foram escolhidos por serem, na avaliação do ministério, capazes de identificar o grau de acesso da população aos serviços e a qualidade do atendimento. Os números foram coletados entre 2007 e 2010. Dos 5.633 municípios analisados, 20,7% tiveram notas entre 0 e 4,9. Estas cidades concentram 27,1% da população brasileira. Do universo avaliado, 47% alcançaram nota que varia entre 5 e 5,9.
O Idsus estampa também a desigualdade da oferta de serviços nas regiões brasileiras. Para evitar comparação entre cidades com características distintas, o indicador separou as cidades em seis grupos. A classificação levou em conta o desenvolvimento econômico, as condições de saúde e a estrutura dos sistemas de saúde. O resultado, na avaliação do próprio ministro, representa um retrato da desigualdade.
Apenas 29 cidades foram incluídas no grupo 1, formado por aquelas com melhor infraestrutura e condições de atendimento à população. Outras 94 foram consideradas aptas para ficar no grupo 2, com infraestrutura boa, mas menos especializada. Já 4.221 cidades (76%) foram incluídas nos grupos 5 e 6, onde não há oferta de tratamento de ponta. A distribuição geográfica é clara: a maior oferta está concentrada numa pequena parte do País, no Sul e Sudeste.
O Idsus deverá ser feito a cada três anos. A ideia é que o índice sirva de ponto de partida para discussão de compromissos locais, de acordo com o coordenador de monitoramento e avaliação da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Afonso Teixeira dos Reis.
Pernambuco é apenas o 6º do Nordeste
Pernambuco tem apenas a sexta melhor saúde pública da região Nordeste, segundo o Índice de Desenvolvimento do Sistema Único de Saúde (Idsus). O Estado obteve nota 5,29, menor que a média nacional (5,47), e está atrás de Alagoas (5,43), Rio Grande do Norte (5,42), Bahia (5,39), Sergipe (5,36) e Piauí (5,34). O baixo índice coloca Pernambuco em 16º no ranking brasileiro. O pior nordestino é a Paraíba, com nota 5.
Já quando a comparação é feita entre capitais, a situação melhora um pouco. Embora ainda esteja longe do patamar das cidades da Região Sul, que tiveram as notas mais altas, o Recife é a segunda capital mais bem avaliada do Nordeste, com 5,91, atrás de São Luís (5,94). A cidade está em 10º no ranking nacional das capitais.
Curiosamente, embora Alagoas tenha recebido a melhor nota entre os Estados nordestinos, Maceió é a última colocada entre as capitais da região, com 5,04, o que revela que a saúde pública é melhor no interior do que na capital. A penúltima do Nordeste é Fortaleza (5,18) e antepenúltima, João Pessoa (5,33).
Fonte: Jornal do Commercio.
TABELA 1 – ÍNDICES DOS ESTADOS
| Unidades Federativas | IDSUS |
| Santa Catarina | 6,29 |
| Paraná | 6,23 |
| Rio Grande do Sul | 5,90 |
| Minas Gerais | 5,87 |
| Espírito Santo | 5,79 |
| Tocantins | 5,78 |
| São Paulo | 5,77 |
| Mato Grosso do Sul | 5,64 |
| Roraima | 5,62 |
| Acre | 5,44 |
| Alagoas | 5,43 |
| Rio Grande do Norte | 5,42 |
| Bahia | 5,39 |
| Sergipe | 5,36 |
| Piauí | 5,34 |
| Pernambuco | 5,29 |
| Goiás | 5,26 |
| Maranhão | 5,20 |
| Ceará | 5,14 |
| Distrito Federal | 5,09 |
| Mato Grosso | 5,08 |
| Amapá | 5,05 |
| Amazonas | 5,03 |
| Paraíba | 5,00 |
| Rio de Janeiro | 4,58 |
| Rondônia | 4,49 |
| Pará | 4,17 |
| Brasil | 5,47 |
TABELA 2 – ÍNDICES DAS CAPITAIS POR GRUPO HOMOGÊNEO
| Capitais | IDSUS 2012 | Grupo Homogêneo |
| Vitória | 7,08 | 1 |
| Curitiba | 6,96 | 1 |
| Florianópolis | 6,67 | 1 |
| Porto Alegre | 6,51 | 1 |
| Goiânia | 6,48 | 1 |
| Belo Horizonte | 6,40 | 1 |
| São Paulo | 6,21 | 1 |
| Campo Grande | 6,00 | 1 |
| São Luís | 5,94 | 1 |
| Recife | 5,91 | 1 |
| Natal | 5,90 | 1 |
| Salvador | 5,87 | 1 |
| Teresina | 5,62 | 1 |
| Manaus | 5,58 | 1 |
| Cuiabá | 5,55 | 1 |
| João Pessoa | 5,33 | 1 |
| Fortaleza | 5,18 | 1 |
| Brasília | 5,09 | 1 |
| Maceió | 5,04 | 1 |
| Belém | 4,57 | 1 |
| Rio de Janeiro | 4,33 | 1 |
CAPITAIS DO GRUPO HOMEGÊNEO 2
| Palmas | 6,31 | 2 |
| Boa Vista | 5,76 | 2 |
| Rio Branco | 5,56 | 2 |
| Aracajú | 5,55 | 2 |
| Porto Velho | 5,51 | 2 |
| Macapá | 5,10 | 2 |




