É do Laboratório de imunopatologia Keizo Asami (Lika), da universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que surgem os mais promissores aliados para a detecção precoce do câncer: os biossensores. A tecnologia possibilita a leitura de material enético de pacientes e ponta para a presença da doença antes mesmo da formação de tumores. Os diagnósticos de DNA representam a revolução os exames até então disponíveis e as avaliações obre sua eficácia estão avançadas. No Lika há três estudos de biossensores: ma para o HPV16, outra para o câncer de mama e também próstata. Os trabalhos são encabeçados por três pesquisadoras da instituição, que tem um desafio ainda maior pela rente: avançar além dos uros da academia e ganhar o mundo, colocando suas descobertas a serviço da saúde pública. Hoje, Dia acional de Combate ao câncer, aFolha inicia uma série de três dias de entrevistas com as pesquisadoras dos dispositivos. Nesta quinta, Danielle Campos Ferreira explica o projeto do teste rápido para o HPV16, vírus que provoca o câncer de colo de útero. Seus estudos e doutorado já tiveram suas publicações em revistas científicas. A pesquisadora recebeu o prêmio de Incentivo em ciência e Tecnologia para o US – 2014.
Quando começaram os estudos que deram origem ao biossensor e porque a escolha dele? Há 15 anos o Grupo do Biossensores do LIKA desenvolve pesquisas com esse tipo de equipamento para detecção precoce de diversas doenças, tais como dengue, HPV, câncer de próstata e de mama, além do BPV (uma espécie de HPV bovino). Essa escolha foi feita com a finalidade de desenvolver algo inovador na saúde e, com isso, contribuir com a qualidade de vida das pessoas. O câncer do colo do útero é responsável, anualmente, pelo óbito de 274 mil mulheres. No Brasil, ele é o terceiro tipo de maior incidência na população feminina. Vários estudos têm demonstrado que o desenvolvimento desse câncer está fortemente associado às infecções causadas pelo (HPV) de alto risco, principalmente o do genótipo 16. Devido às altas taxas de prevalência do HPV16 e as dificuldades em fazer um diagnóstico eficaz nas fases iniciais da infecção deste vírus, o meu doutorado teve como objetivo desenvolver uma plataforma para o diagnóstico diferencial do HPV16, visando aplicações no sistema de saúde pública. Como funciona tecnicamente este biossensor? Ele dá resultados mais rápidos que a testagem da captura híbrida, que é o exame tradicional para determinação do tipo deHPV? Os biossensores são dispositivos analíticos que combinam biomoléculas imobilizadas, como ácidos nucléicos (DNA) a um transdutor para criar uma superfície que permita a medição qualitativa e/ou quantitativa de um alvo específico, no nosso caso, o HPV16. As técnicas de biologia molecular, como a captura híbrida, têm sido utilizadas como ferramentas para detecção do DNA viral. Porém, essas técnicas, apesar de possuírem uma alta sensibilidade e especificidade, necessitam de laboratórios bem equipados e profissionais especializados, o que eleva o custo do procedimento. O desenvolvimento de um teste rápido e acessível para detecção do DNA do HPV torna esta uma alternativa viável para a triagem citológica. Para atender essa demanda, os biossensores podem ser utilizados por possuírem os requisitos necessários para a detecção do HPV. Comparado a instrumentação, num laboratório clássico, os biossensores estão sendo cada vez mais explorados como simples e promissores dispositivos de diagnóstico capazes de identificar vários agentes infecciosos. No futuro, a perspectiva é que a leitura dele seja feita em equipamentos portáteis como são hoje os glicosímetros. Qual o nível de segurança do novo dispositivo? Em todas as amostras clínicas testadas obtivemos 100% de acerto. O mecanismo será a nova geração de testes de HPV? Ele muda a forma como se identifica o vírus no mundo? Trata-se de um dispositivo inovador, que prevê a confirmação da infecção pelo HPV16 sem a necessidade de uma atuação médica. Sua aplicação dispensaria estrutura laboratorial, podendo alcançar, prontamente, brasileiros que residem em regiões mais remotas, ampliando assim o acesso a diagnóstico célere e eficiente. Ademais, o dispositivos pode oferecer outros benefícios como: fácil execução em campo e resultados d simples interpretação. Logo este novo teste poderá gerar uma economia significativa de recursos para o Ministério da Saúde e, por outro lado uma grande vantagem para o paciente, que por conta d diagnóstico precoce terá u tratamento mais eficaz. A partir de quando essa tec- nologia deve estar disponível para a população? Com investimento contínuo e todas as certificações em dois anos o produto poderia estar no mercado. O Ministério da Saúde já sinalizou alguma intenção d popularizar seu uso? Não, mas acreditamos que a visibilidade promovida pela última premiação junto a Ministério da Saúde abri uma porta para a possível implantação do biossensor e apresenta um horizonte promissor. Há estudo para identificação dos outros subtipos do HPV Sim. O Grupo de Biossensores vem desenvolvendo u trabalho para implementação do sistema multiplex par diversos para identificação dos diversos genótipos do HPV.
Fonte : Folha de Pernambuco



