SÃO PAULO (Agência Fapesp e AE) – Uma vacina brasileira contra o vírus HIV, causador da Aids, começará a ser testada em macacos ainda neste semestre. Os experimentos têm o objetivo de encontrar o método de imunização mais eficaz para ser usado em humanos. Concluída essa fase, e se houver financiamento suficiente, poderão ter início os primeiros ensaios clínicos.
Segundo o pesquisador Edécio Cunha Neto, agora, serão avaliados os resultados do HIVBr18, imunizante que foi desenvolvido e patenteado pelos brasileiros. A primeira fase da pesquisa, que será feita emmacacos da espécie Rhesus por causa da semelhança com o sistema imunológico humano, deve durar pelo menos oito meses. Em seguida, o teste será estendido para quatro grupos de seis macacos cada. Nessa fase, serão testadas várias fórmulas da vacina, todas com o mesmo princípio ativo básico.
A expectativa de Cunha Neto é que essas duas fases da pesquisa sejam concluídas entre 24 e 48 meses. Se os resultados forem positivos, os pesquisadores pretendem iniciar o teste clínico em humanos. E, em até cinco anos, eles esperam ter os primeiros resultados. “O problema é que testes clínicos custam caro. Precisamos ver se teremos financiamento suficiente para isso”, disse Cunha Neto, que estima que a pesquisa em humanos custe mais de R$ 200 milhões.
Para chegar ao imunizante HIVBr18, ao menos 20 pesquisadores estão envolvidos no projeto. Para isso, eles isolaram pequenos pedaços do vírus HIV que variavam pouco e se mantinham estáveis em quase todas as cepas.
A segunda etapa da pesquisa foi pegar essas partes preservadas do vírus e passar por um algoritmo de computador para identificar quais dessas regiões tinham mais chances de ser reconhecidas pelo sistema imune dos pacientes. Assim, os pesquisadores conseguiram selecionar 18 fragmentos do HIV que seriam reconhecidos pela maioria das pessoas.
“Isso já era um bom resultado, mas ainda estava num programa de computador. Precisávamos testar no mundo real”, disse Cunha Neto Os pesquisadores então selecionaram amostras de sangue de quatro grupos de pacientes com HIV – desde os que estavam com a doença controlada até os que estavam mal – e aplicaram os 18 fragmentos do HIV, para ver se o organismo dos pacientes os reconhecia. Os testes mostraram que em 90% dos casos pelo menos um dos fragmentos foi reconhecido. Na média, o sistema imune dos pacientes reconheceu ao menos cinco dos 18 fragmentos.
Fonte: Folha de Pernambuco



