Um dos ícones da medicina pernambucana deu adeus e foi embora no último mês de julho. Antônio Simão dos Santos Figueira Filho era uma das maiores referências em mastologia, uma especialidade da medicina que estuda a mama. Formado em medicina na turma de 1971 da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco, Tota Figueira, como era conhecido, logo se dedicou à mastologia e especializou-se na Universidade de Oxford, na Inglaterra.
Seus conhecimentos e sua dedicação à especialidade que escolhera o fizeram conhecido no Brasil e no exterior. Depois da especialização na Inglaterra, voltou ao Brasil, com passagem pelo Rio, onde trabalhou com Ivo Pitanguy, e, em seguida, estabeleceu-se no Recife. Montou consultório e passou num concurso para professor da UFPE. Logo depois, foi aprovado também para ensinar na Universidade de Pernambuco. Na UPE, em 2014, foi eleito diretor da Faculdade onde havia se formado.
Foi presidente da Sociedade Brasileira e da Sociedade Mundial de Mastologia, criou a Associação Pernambucana dos Amigos do Peito e era integrante da Academia Pernambucana de Medicina. Ocupava também a função de consultor científico do Imip, que foi fundado pelo seu tio Fernando Figueira.
Por trás do excelente profissional Tota Figueira, estava o bom marido, o bom pai, o bom avô e o bom amigo. Sua vida pessoal foi marcada por muito amor à esposa, aos filhos e aos netos. Filho do médico Antônio Figueira, foi fazer residência médica no início dos anos 1970, no Rio, onde morava o tio Álvaro Figueira, também médico. E foi na capital carioca onde Tota Figueira descobriu o amor da vida dele.
A paquera, o flerte e a vontade de namorar com Elizabeth, filha do tio Álvaro, já existiam. Mas nenhum dos dois tinha coragem de confessar os sentimentos. A ida para o Rio foi determinante para que a vida dos dois primos se entrelaçasse definitivamente. Se casaram em novembro de 1973 e deram uma bela festa. Em seguida, embarcaram para a Inglaterra, onde Tota Figueira foi fazer a especialização em mastologia.
Em Londres, nasceram os primeiros frutos da união dos dois primos, Marília e Cristina. De volta ao Brasil, nasceram mais dois filhos, Antônio e Guilherme. Depois, vieram os netos Maria Clara, Luiz Carlos, Antônio e Tiago.
Em 2011, quando tudo era motivo de alegria e a felicidade impregnava o dia a dia da família, veio o choque. Elizabeth estava com câncer (pulmão). Logo o câncer, uma doença que o marido levava a vida combatendo nas pacientes – o que sempre lograva êxito. Elizabeth não resistiu e, aos 61 anos de idade, deu seu último suspiro. Apesar do carinho da família, dos filhos e dos netos, Tota Figueira não conseguiu assimilar a perda da sua amada.
Quatro anos depois, também se despediu dessa vida e partiu em busca do encontro eterno com sua Elizabeth.
Fonte: Jornal do commercio



