Toxina ou vírus por trás de nova doença

Vírus ou intoxicação são as principais hipóteses levantadas por especialistas para explicar as dores musculares intensas e súbitas identificadas em pacientes da Bahia e do Ceará e que levou Pernambuco a alertar as unidades de saúde para notificação imediata de quem apresentar sintomas semelhantes. Os casos intrigam pela urina escura. “Se for um vírus, certamente seria novo no Brasil e teria entrado (no País) como o zika, alguém teria trazido de fora. Hoje há muita mobilidade. E há o Parechovírus, que já provocou surto na Dinamarca e no Japão. As pessoas têm viajado e podem ter trazido o vírus para cá”, destaca o infectologista da Bahia Antônio Carlos Bandeira, coordenador do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Foi ele quem atendeu, no País, os primeiros pacientes com sinais do zika em 2015, quando ainda era um agente desconhecido em território brasileiro. Em dezembro de 2016, ele alertou autoridades da Bahia para os casos que levantaram suspeita de mialgia (dor muscular forte) misteriosa. “Vimos quatro pessoas de uma família em Salvador acometidas com o mesmo sintoma: fortes dores no pescoço. É como se o indivíduo tivesse carregado muito peso e corrido bastante”, relata Bandeira.

O infectologista relata que amostras (como fezes e urina) dos pacientes foram encaminhadas ao laboratório do virologista Gubio Soares, da Universidade Federal de Bahia. “Ele tem encontrado alguns vírus. Ainda se aguarda identificação. Trabalhamos com duas hipóteses: quadro viral ou contaminação através de toxina pelos peixes.” Amostras do alimento in natura seguiram para o Instituto Adolfo Lutz (São Paulo) para investigação de metais pesados. “Ambas as situações (vírus e toxina) podem evoluir com mialgias agudas. Uma delas é a epidêmica, causada por Enterovírus e Parechovírus, a outra é a síndrome de Haff, que também é uma mialgia aguda, mas causada por toxina.”

Outro detalhe comum entre os doentes é o aumento dos níveis de uma enzima (CPK, sigla para creatinofosfoquinase), o que sugere lesão aguda na musculatura. “O valor de referência da CPK é 170. Nesses pacientes, ficou entre 10 mil e 113 mil”, informa Bandeira. O infectologista acrescenta que o quadro, apesar de intenso, dura poucos dias na maioria dos casos. “Geralmente, em três ou quatro dias (após o início dos sintomas), o paciente fica bem. Mas, por ter o pigmento que está no músculo (chamado mioglobina, que causa a urina escura e é tóxico para os rins), o paciente pode ter insuficiência renal”, alerta. Complicações como essa tendem a ser mais comuns em idosos e pessoas com doenças associadas, como diabetes e cardiopatia.

Fonte: Jornal do Commercio

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