Os serviços do ambulatório do Centro de Oncologia (Ceon) do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, da UPE, serão suspensos a partir de hoje, por uma semana, em função da falta de remédios quimioterápicos para atender 1,2 mil pacientes. O hospital também não receberá pacientes externos para internamento na UTI e limitará cirurgias de médio e alto risco.
O Huoc tem R$ 38 milhões previstos para este ano, quando o necessário seriam R$ 75,6 milhões. Vinte e oito medicamentos, dos quais 10 são básicos ao tratamento da maioria dos tumores, estão em falta. Outros 14 estão com estoque crítico.
“Uma verba de R$ 167 mil, remanejada do próprio hospital, nos permitiu adquirir metade dos medicamentos de oncologia em falta”, afirmou o gestor do hospital, Bento Bezerra. Segundo ele, 20 itens foram solicitados aos fornecedores, e o prazo de entrega é 10 dias.
“Mesmo chegando, talvez eles só deem para um mês”, lembrou a gerente do Ceon, a oncologista Carla Limeira. “Estamos com metade dos internamentos. Faltam reagente para exames e antibióticos”, esclareceu a coordenadora do setor de Oncologia Clínica, Cristiana Tavares. Hoje, às 9h, os médicos se reúnem para decidir se entram com ação civil pública.
O Cremepe abriu sindicância para apurar a situação e entrará hoje com uma ação contra as secretarias de Ciência e Tecnologia e Saúde.
Três funcionários administrativos e financeiros do Huoc foram exonerados ontem pelo reitor da UPE, Pedro Falcão. Ele também determinou a composição de uma equipe para atuar na resolução dos problemas. Em nota, a SES afirmou que “já está tomando as providências para garantir a continuidade do tratamento de todos os pacientes oncológicos nos outros serviços de referência da rede estadual de saúde.”
O Ministério Público, que abriu inquérito civil, fará reunião na quarta-feira (15), às 14h30, com representantes da UPE, das secretarias e do Ceon. Enquanto a situação não se normaliza, pacientes sofrem. “Estávamos comprando remédio de pressão para a minha esposa porque o hospital não tinha”, reclamou o professor Josemir Silva, 31.
Fonte: Diario de Pernambuco



