Treze dos 15 pediatras da UPA da Imbiribeira entregam carta de demissão coletiva

Treze dos 15 pediatras que atuam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira entregam uma carta de demissão coletiva na manhã desta segunda-feira. Os médicos adiantam à população que irão cumprir o prazo de aviso prévio e trabalhar nos próximos 30 dias. Eles denunciam falta de segurança, de insumos e condições de trabalho, além da redução na escala, que estaria ferindo a ética de atendimento médico e colocando em risco as vidas dos pacientes. Também nesta segunda, os profissionais devem acionar o Ministério Público e a Delegacia Regional do Trabalho.

De acordo com a categoria, a média de atendimento na unidade de saúde atualmente é de 85 pacientes em cada 14 horas, que estaria desrespeitando uma resolução do Cremepe, que determina o máximo de 36 pacientes atendido em 12 horas de trabalho. Os médicos denunciam ainda que, durante as duas horas de descaso do profissional, a orientação da direção é que as crianças, mesmo em classificação de risco, devem aguardar até o retorno do profissional.

Segundo o diretor do Sindicato dos Médicos, de Pernambuco(Simepe), Walber Stéffano, a escala que antes era composta por dois pediatras a cada plantão de 12 horas, foi reduzida em outubro para um profissional no período diurno e outro no noturno. A  medida seria tomada pela unidade para não fechar definitivamente o plantão pediátrico da noite e economizar na folha de pagamento. Stéffano destacou que foram feitas várias tentativas de negociação com o Instituto Pernambucano de Assistência e Saúde (IPAS), que gerencia a UPA, mas não houve acordo com relação à recomposição de pediatras.

“Não é possível para um UPA ficar apenas com um pediatra por turno, até porque esse profissional pode ter que acompanhar a transferência de um paciente e unidade fica descoberta”, frisou. O diretor do Simepe acrescentou que mesmo com a equipe desfalcada, os médicos têm se desdobrado para atender a população mas que a sobrecarga de atendimentos tornou inviável permanecer no serviço. Segundo ele, a população já começou a sentir os efeitos da medida. Com o quadro de médicos reduzido, o serviço foi restringido, com o fechamento da classificação da “sala verde”, tido como menos urgente. Além disso, em caso   da necessidade de transferência de pacientes, com apenas um pediatra em atendimento, o plantão fica fechado.

Segundo caso este ano – Em setembro, 25 dos 21 médicos da UPA da Caxangá pediram demissão depois de receberem a notícia de mais uma redução no número de profissionais da unidade, além da queda no volume de compras de itens utilizados no atendimento.

O movimento foi reforçado com a informação de que os novos desligamentos iriam sobrecarregar os médicos que permaneceriam, além da limitação do atendimento devido à baixa nos utensílios de atendimento básico, intermediário e de urgência. O atendimento seria limitado a casos de emergência, considerados graves.

Fonte: Diario de Pernambuco

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