Um apelo para barrar a epidemia de dengue

CAMPANHA Com aumento de até 939% no número de casos em bairros da Zona Norte, Prefeitura do Recife orientará população a eliminar 10 potenciais tipos de criadouros de mosquitos na cidade

A nova epidemia de dengue, “com todas as letras”, como enfatiza o secretário de Saúde do Recife, Jaílson Correia, fez a prefeitura colocar na rua mais uma campanha contra a doença. “Cuidado! Pode ser na sua casa” orienta a população a eliminar dez potenciais tipos de criadouros de mosquito. Foi apresentada ontem na reunião de mobilização com segmentos da sociedade, a primeira de uma ação que não tem data para terminar. Panfletos, ímãs de geladeira, mensagens na grande mídia e redes sociais são as formas de veiculação.

Junto à campanha, a Secretaria Municipal de Saúde instituiu plantões extras dos agentes de saúde ambiental nos fins de semana e pretende ampliar o quadro de mil profissionais, chamando aprovados do último concurso. O número ainda está sendo definido. Houve reforço na quantidade de larvicida, serão comprados mais aspiradores de mosquito e os postos estão abastecidos, informa a secretaria. Um adicional de R$ 400 mil foi liberado pelo Ministério da Saúde para ajudar no combate à doença. O aumento de casos suspeitos pulou para 393,2% nos dois primeiros meses do ano, quando comparado com o mesmo período de 2014. Há áreas em que o crescimento é de 939%, como na Zona Norte. Muito acima do limite esperado para 2015.

No ano passado mais de dois milhões de ovos do mosquito foram retirados do ambiente. Neste início de 2015 outros 85 mil também foram eliminados. Mesmo assim, são quase mil doentes e uma morte em investigação na cidade. A explosão de adoecimentos, com manifestação mais branda, é atribuída ao retorno do vírus 1, já isolado em amostra de sangue, o mesmo que causou epidemia na década de 1990. “Em Pernambuco e no Brasil há cidades em situação muito pior. Mas precisamos conter o mais rápido possível a epidemia no Recife. O racionamento d’água e as condições climáticas favorecem o cenário”, explicou o secretário, que diz estar intensificando o combate há quatro meses e ser impossível ao poder público vencer essa guerra sozinho. Daí, a busca de parcerias nos setores empresariais, de classe, igrejas e principalmente com o cidadão comum. “É nas residências que se concentram 80% dos focos do mosquito”, lembrou.

Os plantões aos sábados e domingos são para tratar imóveis que passam os outros dias da semana fechados. Jaílson Correia observa que a apresentação mais leve da dengue não elimina a possibilidade de manifestações graves, com morte. Além disso, o mesmo mosquito que transmite a doença, o Aedes aegypti, pode disseminar a febre chicungunha. Por enquanto, os raros casos da nova doença foram importados.

INFESTAÇÃO

A secretária de Vigilância à Saúde do Recife, Denise Oliveira, mostrou que a doença se dissemina por todos os oito distritos sanitários da cidade e o adoecimento se mostra mais frequente em regiões onde o índice de infestação dos imóveis por mosquito já mostrava risco em janeiro. A preocupação é maior com a Zona Norte. Fica lá o Alto José Bonifácio, o mais infestado, com quase 9% dos imóveis com criadouros de Aedes. Vasco da Gama e Nova Descoberta, na mesma região geográfica, destacam-se por reunirem doentes e mosquitos. Nesse território, de grande concentração populacional, o racionamento d’água, com suspensão do fornecimento em intervalos de 48 horas, faz as famílias usarem baldes e tonéis. Além disso, há quem jogue lixo na rua, formando novos focos do mosquito e atraindo outros insetos. “Este mês eu passei uma semana com febre e dor no corpo. Na minha igreja muitas pessoas adoeceram também”, contou a dona de casa Lucineide Lima, 35 anos, moradora do Vasco.

Fonte: Jornal do Commercio

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