Um gigante doente

Com a mudança de gestor e o discurso da reitoria da UFPE vislumbrando um novo tempo para o Hospital das Clínicas, esperava-se notícia melhor do que o Cremepe/Simepe realizar vistoria e sair da casa com uma lista graúda de problemas. Foi ontem. A causa do alagamento no subsolo, que motivou a visita de fiscais das duas instituições, logo recebeu uma explicação convincente de funcionários – o HC não vê a cor de um contrato de manutenção predial há 80 dias e existem alguns itens fundamentais funcionando apenas parcialmente: das dez salas de cirurgia apenas dez estão em atividade, enquanto nada menos do que cinco dos nove elevadores encontram-se parados. Se o calor da cidade já é difícil de suportar ao ar livre, a falta de climatização em um ambiente fechado e onde circula muita gente triplica o incômodo a ponto de, neste caso, ter sido necessário que funcionários do repouso médico fizessem uma “vaquinha” para comprar um ar condicionado. Até lâmpada falta no hall de entrada. Numa situação tão evidente de abandono, o normal seria crer que falta dinheiro à reitoria para implantar as medidas necessárias, mas o Cremepe coloca a tese por terra dizendo ter conhecimento de verba (algo próximo de R$ 19 milhões) para ajudar o HC a sair do atoleiro, mas, detalhe: poderia ser devolvida aos cofres do governo federal, se não utilizada a tempo, o que ocorre quando as áreas que liberam os recursos não recebem, na época devida, todos os projetos relativos às obras ou aquisições pleiteadas. E em qualquer caso de devolução de recursos públicos à fonte, por descumprimento de prazo ou de exigências, o julgamento é um só – má gestão. Independentemente do que venha a ser feito para melhorar a saúde do HC, a ideia que o Cremepe tem para os recursos, como medida emergencial, é a construção de um hospital escola. Pelo que sofre, a população pobre deve assinar embaixo.

Fonte: Diario Urbano / Diario de Pernambuco

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