O Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+) é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, com sede no Recife. Fundada em dezembro de 2000, atua na defesa de portadores de HIV/aids e de profissionais do sexo. Agora, é a entidade que necessita de ajuda. Para ampliar o projeto da cozinha solidária, o grupo pede à população a doação de notas fiscais de compras.
“Aderimos ao programa Todos com a Nota, do governo do Estado de Pernambuco, no mês passado. Os cupons arrecadados são trocados por pontos e assim conseguimos apoio institucional para o projeto”, explica Wladimir Reis, coordenador geral do GTP+. As notas podem ser depositadas em urnas na Escola Criativa (Torre) e na Igreja Anglicana (Espinheiro).
Dois coletores encontram-se na sede do grupo, localizada no bairro da Boa Vista, Centro do Recife. “Por enquanto, temos quatro urnas, mas estamos negociando a colocação de outras, na Padaria Santo Antônio (Arruda) e na sede do Sindicato dos Bancários, na mesma rua do GTP+”, informa Wladimir Reis. Estabelecimentos interessados em disponibilizar coletores para os clientes podem entrar em contato com a entidade pelo telefone 3231-0905.
De acordo com Wladimir, o GTP+ não é assistencialista, mas disponibiliza as refeições por causa das dificuldades sociais e econômicas do público que acolhe. “Temos uma demanda grande de jovens moradores de rua, usuários de crack. Pelas condições de vida, eles fazem sexo por R$ 5 ou R$ 10 e acabam contraindo o HIV. Não podemos ignorar a fome que bate à nossa porta”, diz ele.
A cozinha solidária oferece 20 almoços por semana. “Queremos ampliar os atendimentos, também somos procurados para café da manhã e jantar, mas não temos como fornecer.” O refeitório proporciona trabalho a pessoas demitidas por serem portadoras do HIV. “Temos nove funcionários, entre cozinheiros, auxiliares de cozinha e serviços gerais. Seis deles têm HIV/aids e quatro são profissionais do sexo.”
Dos nove funcionários, um é transexual, três são travestis, uma é mulher e os demais são homens. “Eles são demitidos pelo preconceito, mas a idade também prejudica a atividade que praticam”, comenta.
Homens, travestis e mulheres transexuais, além de pessoas que convivem com o HIV/aids são atendidos por assistentes sociais na sede do grupo, onde são avaliadas questões econômicas e sociais. “Fazemos o encaminhamento para serviços parceiros, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e psicólogos de uma universidade particular”, diz Wladimir.
Segundo ele, a adesão ao programa Todos com a Nota é uma estratégia de sustentabilidade da ONG. “A cooperação internacional saiu do Brasil, agora reconhecido como a sexta economia do mundo. Sem a ajuda do exterior, perdemos recursos para comprar alimentos.”
O grupo espera a contribuição dos cidadãos, com a entrega dos cupons fiscais que geralmente são jogados na bolsa, onde ficam amassados e esquecidos. Depois, são jogados no lixo. Também quer sensibilizar lojas, supermercados, padarias, farmácias, mercadinhos e demais estabelecimentos, para aceitarem os coletores.
Fonte: Jornal do Commercio



